Indígenas Tupinambá de Olivença retomam terras na Bahia


Indígenas tupinambás retomam terras na Bahia (foto: blogdothame)

Indígenas tupinambás retomam terras na Bahia (foto: blogdothame)

Aproximadamente 300 indígenas Tupinambá de Olivença intensificaram o processo de retomadas de fazendas localizadas na região da Serra do Padeiro, na Bahia, na última semana. No total, entre os dias 2 e 13 de agosto, 40 propriedades foram reocupadas. Apesar das ações pacíficas, os indígenas tem recebido ameaças.

De acordo com informações do Centro Indigenista Missionário (Cimi), o território reivindicado, localizado há cerca de 450 km de Salvador, já foi reconhecido como indígena pela Fundação Nacional do Índio (Funai) ma há alguns anos mas o processo se encontra parado no Ministério da Justiça. O prazo para a publicação da portaria declaratória, venceu em abril deste ano. Revoltados com a demora  do governo, os indígenas resolveram, eles mesmos, retomar as áreas.

Segundo o cacique Babau Tupinambá, com as últimas retomadas realizadas na terça-feira (13), eles fecham quase a totalidade do território pertencente à Terra Indígena da Serra do Padeiro. As ações dos indígenas não têm encontrado resistência dos fazendeiros invasores, já que a maior parte das propriedades e das antigas plantações de cacau estão abandonadas.

O baixo preço do cacau no mercado é o motivo do abandono da região. Os indígenas lamentam que, em grande parte da área, a floresta foi intensamente desmatada. A comunidade ocupante das áreas retomadas iniciou o processo de limpeza do cacau e de recuperação das casas.

Apesar da ausência de conflitos com fazendeiros,  a Polícia Militar foi convocada pelo governador Jaques Wagner (PT) para efetuar a reintegração de posse. No entanto, as lideranças indígenas destacam que esta ação é inconstitucional, pois apenas a Polícia Federal pode agir em situações como essa.

Magnólia da Silva, professora e diretora da Escola Estadual Indígena Tupinambá da Serra do Padeiro também afirma que um locutor da rádio local do município de Guararema vem incitando a população local contra os indígenas. Também estão sendo alvos de ameaças, no entanto, segundo Magnólia, a população não está contra os indígenas.

Segundo as lideranças, a série de retomadas também é uma forma de se contraporem aos ataques desferidos pelas bancadas ruralistas contra os direitos indígenas adquiridos, nos âmbitos regional e federal. (pulsar)

Faça um comentário

+ 76 = 82