Casa do Jongo luta para manter as portas abertas no Rio


Festa de abertura da Casa do Jongo (Foto: Alcinoo Giandinoto)

Festa de abertura da Casa do Jongo (Foto: Alcinoo Giandinoto)

A falta de recursos obrigou a Casa do Jongo, um tradicional espaço de valorização da cultura negra da cidade do Rio de Janeiro, localizado em Madureira, na zona norte da cidade, a fechar as portas. A notícia gerou uma mobilização da comunidade negra carioca e de grupos de cultura que realizaram um ato no Centro do Rio em defesa do Grupo Cultural Jongo da Serrinha. A iniciativa surtiu efeito e em breve as portas da Casa reabrirão.

A organização tem mais de 50 anos e desempenha um importante papel no bairro de Madureira com ações integradas como cultura, arte, memória, desenvolvimento social, trabalho e renda. Ao todo, a Casa do Jongo conta com 30 profissionais. Dyone Boy é uma das coordenadoras do espaço. Ela explica que o custo de funcionamento da Casa é de cerca de R$ 400 mil por ano e que em 2017 o grupo teve apenas R$ 140 mil oriundos de captação via Lei de Incentivo. Segundo ela, é inviável manter toda a estrutura de funcionamento da Casa com uma verba tão reduzida.

“A gente atende a 400 crianças e o nosso custo é de 400 mil. Uma criança custa R$1.000  por ano e se você dividir isso por 12 meses, dá menos de R$100 por mês uma criança. Se uma escola cobra R$1000  para o atendimento de uma criança, a gente atende a R$80 e  consegue fazer isso com uma alta qualidade pela rede que a gente tem”, afirma.

A Casa do Jongo foi inaugurada em 29 de novembro de 2015 a partir de uma parceria feita com a Prefeitura, então sob a gestão de Eduardo Paes, que comprou e reformou, em 2013, um antigo imóvel abandonado de 2.000 m² na região de Madureira para a organização. A obra, orçada em R$ 2 milhões, foi o maior repasse feito para a entidade.

Boy conta que a extinção de programas de incentivos culturais da Prefeitura no ano passado afetou diretamente grupos que trabalham com produção cultural no Rio. O diálogo com a Secretaria Municipal de Cultura não tem sido fácil. A coordenadora destaca que o órgão tem divulgado informações equivocadas sobre o custo operacional da Casa do Jongo e sobre o repasse realizado pelo município.

“As notas divulgadas pela secretaria dão a entender que a gente tem um custo alto, segundo, que a gente captou mais do que conseguiu, porque conseguimos um certificado de R$ 800 mil, mas, só captamos R$140 mil. Não foi uma decisão da Secretaria Municipal de Cultura apoiar o Jongo, foi uma decisão da TV Globo. E ela deu a entender na nota que foi o maior repasse para o Jongo da Serrinha, e não foi, a gente ganhou editais nesses anos, ganhou o ISS que foi um valor maior do que  o edital, mas o maior investimento já havia, que foi o programa favela bairro que fez uma grande reforma na Serrinha”, explica.

Por meio de nota, a Secretaria Municipal de Cultura do Rio informou que o custeio de despesas com manutenção, pessoal e funcionamento nunca foi de responsabilidade da Prefeitura do Rio e que a Casa opera em um prédio da Prefeitura sem ônus por meio de um termo de cessão de uso. A Secretaria segue afirmando que não foram cortadas verbas para o espaço e que a Casa de Jongo recebeu R$ 140 mil por meio da Lei do ISS, o maior valor já recebido pela instituição proveniente dos cofres da Prefeitura.

A mobilização em defesa do Jongo da Serrinha sensibilizou a população carioca que tem colaborado para evitar que o espaço feche as portas de maneira definitiva. A Casa do Jongo possui uma campanha de financiamento coletivo na plataforma Benfeitoria que contribui para a instituição manter o funcionamento mínimo da estrutura. As doações mínimas são de R$20. Para colaborar basta entrar nobenfeitoria.com/casadojongo. (pulsar/brasil de fato)

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