Protestos no Rio de Janeiro questionam efeitos da Copa e das Olimpíadas


Após 'enterro', torcedores levaram faixas de protesto para dentro do estádio (foto:  Yuri Lumer)

Após ‘enterro’, torcedores levaram faixas de protesto para dentro do estádio (foto: Yuri Lumer)

O fim de semana no Rio de Janeiro foi de protestos sobre os impactos dos megaeventos esportivos. No sábado (20), cerca de 500 manifestantes se reuniram na Vila Autódromo, comunidade ameaçada de remoção por ser vizinha ao terreno onde será construído o Parque Olímpico, principal instalação das Olimpíadas de 2016.

O protesto passou pelo canteiro de obras do condomínio Parque Carioca – para onde a prefeitura pretende remover os moradores da Vila Autódromo – e terminou na porta do PROJAC, central de produção da Rede Globo. Os moradores gritaram palavras de ordem em que acusavam a corporação de fazer campanha pela remoção da comunidade em seus veículos de comunicação.

No domingo (21), foi a vez de torcedores e usuários do Complexo do Maracanã questionarem as conseqüências da privatização do estádio, que tem o processo licitatório questionado na Justiça. Os manifestantes ensaiaram o enterro do Maracanã em protesto contra o que chamam de elitização do futebol.

Também reclamam da descaracterização arquitetônica decorrente da reforma para a Copa do Mundo, que custou mais de 1 bilhão de reais. Atletas, treinadores, professores e pais de alunos presentes lembraram a ameaça de demolição do Estádio de Atletismo Célio de Barros, do Parque Aquático Julio Delamare e da Escola Municipal Friedenreich, uma das dez melhores no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB).

A remoção forçada da Aldeia Maracanã, ocupação que funcionava no antigo Museu do Índio, também foi lembrada. O protesto parou em frente ao edifício histórico desocupado, que fica nos arredores do estádio, e exigiu a entrega do espaço para os indígenas.

Para Renato Cosentino, do Comitê Popular da Copa e das Olimpíadas, grupo que participou da organização dos dois atos, questionamentos aos impactos de megaeventos esportivos tendem a ser cada vez mais frequentes. Renato lembra que a explosão de protestos que tomou o país aconteceu justamente durante a Copa das Confederações da Fifa, mas ressalta que protestos relacionados ao tema já acontecem no Rio desde a preparação para os Jogos Panamericanos, em 2007. (pulsar)

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