ProSavana exporta modelo de agricultura destruidor para Moçambique


ProSavana prioriza agricultura mecanizada e exclui pequenos agricultores. (foto: Reprod.)

ProSavana prioriza mecanização e exclui pequenos agricultores, diz estudo. (foto: Reprod.)

Pesquisa revela que o ProSavana serve aos interesses do agronegócio. De acordo com o estudo “Cooperação e Investimentos do Brasil na África – O caso do ProSavana em Moçambique”, a proposta pode inviabilizar os modos de vida de 4,5 milhões de camponeses no país africano. O projeto é uma cooperação entre os governos do Brasil, do Japão e de Moçambique.

A análise crítica ao programa foi lançada nesta quinta-feira (8) pela  Fase, junto a entidades africanas, na capital moçambicana Maputo. Além da sociedade civil organizada, compareceram representantes governamentais. Fátima Melo, coordenadora da pesquisa, conta que a ideia oficial de que o ProSafana chega para trazer segurança alimentar foi confrontada.

Ela afirma que os camponeses moçambicanos ficam “invisíveis” na proposta.  Destaca que eles nem ao menos foram ouvidos pelo Centro de Agronegócio da Fundação Getulio Vargas (Gvagro), que orientou o programa. Diante das críticas, conta que os representantes dos governos se limitaram a dizer que existe uma “falta de informação”.

Fátima explica que o ProSavana aposta em uma agricultura altamente mecanizada, baseada em monocultivos para exportação como soja, algodão e milho. Na província de Nampula, 61% do território com incidência do programa não têm registro. Esta região está entre as que mais desperta o interesse do agronegócio: o projeto prevê concessões de uso de terras por 50 anos, inclusive a estrangeiros.

De acordo com a pesquisa organizada pela Fase, o programa não deve responder à expectativa de melhorias de vida dos moçambicanos. Deve, ao contrário, replicar na África contradições como as de Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso. Mesmo estando no chamado “celeiro do mundo”, o município  importa 90% dos alimentos necessários à própria população. (pulsar)

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