Lideranças ambientais e do campo acusam agronegócio de transformar alimentos e sementes em mercadorias


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Agricultura Familiar produz 70% dos alimentos no país (foto: jornalocapixaba)

O economista João Pedro Stédile, um dos coordenadores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), afirmou durante o III Encontro Internacional de Agroecologia que “o agronegócio não produz alimentos, e sim mercadorias”.

Ele explicou que esse modelo de agricultura é responsável por mecanizar o campo, investindo em monocultura e patentes de sementes geneticamente modificadas com o objetivo de vender um pacote tecnológico e tornar os produtores dependentes.

Stédile citou como exemplo a situação do empresário e senador Blairo Maggi (PR), possuidor de mais de 240 mil hectares de soja, nos quais aplica o uso indiscriminado de venenos agrícolas importados.

O representante do MST participou da mesa “Campesinato Agroecológico e os Desafios e Possibilidades da Via Campesina’. O encontro, que ocorreu do dia 31 de julho a 3 de agosto em Botucatu, município de São Paulo, contou com a participação de 2 mil pessoas.

Outro debate contou com a presença da ativista e líder ambiental indiana Vandana Shiva. Assim como Stédile, ela acusou o agronegócio de transformar sementes em produtos e classificou esse processo de biopirataria.

A ativista lembrou a tragédia de Bhopal, na Índia, em que 40 toneladas de gases tóxicos vazaram na fábrica de pesticidas da empresa estadunidense Union Carbide, em 1983. No episódio, 500 mil pessoas foram expostas aos gases, o que resultou em 3 mil mortes diretas  e outras 10 mil devido a doenças relacionadas à inalação do gás. (pulsar)

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