Ministério Público denuncia caixa dois em campanha para Aécio Neves e Pezão no Rio


(fotos: reprodução)

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A Procuradoria Regional Eleitoral (PRE) do Rio de Janeiro representou contra oito deputados eleitos, sendo quatro federais e quatro estaduais. De acordo com a denúncia, o material gráfico da campanha de 2014 foi feito “por fora” do que consta das notas fiscais, o que caracteriza caixa dois.

A denúncia envolve políticos do PMDB dissidente que apoiaram o voto “Aezão”, ou seja, Luiz Fernando Pezão (PMDB) para governador e Aécio Neves (PSDB) para presidente. O deputado estadual e presidente do PMDB fluminense, Jorge Picciani, e seus dois filhos, o deputado federal Leonardo Picciani e o estadual Rafael Picciani, gastaram mais de 1 milhão de reais cada um em material gráfico “por fora”, sempre segundo a PRE-RJ.

O deputado estadual André Lazaroni, do PMDB e do Aezão, também teve mais de 1 milhão de reais em material gráfico “por fora”. O deputado federal Otávio Leite (PSDB) teve mais de 500 mil reais “por fora”. O deputado federal Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral, 100 mil reais. Assim, os apoiadores de Aécio Neves usaram mais de 4,6 milhões de reais em material de campanha não contabilizado, vulgo caixa dois. Completam a representação da PRE, mais de 100 mil reais do deputado federal Pedro Paulo (PMDB), principal aliado do prefeito Eduardo Paes (PMDB), que não aderiu ao “Aezão”, e 90 mil reais do deputado André Ceciliano, do PT.

O esquema era feito com a empresa de comunicação visual High Levels e uma rede de gráficas, onde a quantidade de impressos declarados nas notas fiscais eram menores do que a produção real. Uma planilha “de gaveta” apreendida por fiscais do TRE discrimina os valores pagos “por dentro” e “por fora” de cada um dos deputados.

O governador Luiz Fernando Pezão também consta desta planilha e foi denunciado em outro processo à parte, junto ao vice Francisco Dornelles, presidente de honra do PP e primo de Aécio Neves. Foi quem nomeou o senador tucano diretor da Caixa Econômica Federal durante o governo Sarney, quando era recém-formado. Como agravante, a High Levels prestava serviços de produção gráfica para a prefeitura do Rio e para o governo estadual, o que leva a outras linhas de investigação muito além das irregularidades de campanha eleitoral.

Além dos oito denunciados, na operação foram encontrados material de campanha de Rodrigo Bethlem (PMDB), desistente ao ver sua candidatura abatida por um escândalo de propinas na prefeitura quando foi secretário municipal, e Sávio Neves (PEN), não eleito e, coincidentemente, também primo de Aécio Neves.

Nas ações, a PRE pede a perda dos mandatos. Segundo o procurador regional eleitoral Paulo Roberto Bérenger, “houve verdadeira prática de conduta ilícita pelos políticos, na medida em que a não declaração dos gastos em campanha se comprova pelos documentos alcançados pela Polícia Federal, pelo relatório do TRE que apurou a existência de diversas irregularidades, bem como pelas conclusões da Receita Federal, que constatou a omissão de receitas pelas empresas.” (pulsar/rba)

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