Violações e conflitos no campo batem ‘triste’ recorde, segundo relatório da CPT


"Conflitos no Campo Brasil 2016" foi apresentado hoje (17) na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, em Brasília (Foto: Guilherme Cavalli / CIMI)

“Conflitos no Campo Brasil 2016” foi apresentado hoje (17) na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, em Brasília (Foto: Guilherme Cavalli / CIMI)

Em 2016 foram registrados  mil 295 casos de conflitos por terra no Brasil, sendo 61 assassinatos, crescimento de 22 por cento comparado ao número de homicídios do ano anterior. Estima-se uma média de quatro ocorrências por dia.

Foram registradas 74 tentativas de homicídio, 200 ameaças de morte, 571 agressões e 228 prisões. Somam-se aos dados, 172 conflitos pela água e 69 violações trabalhistas, contabilizando mil 536 ocorrências de conflito. Os dados presentes no relatório Conflitos no Campo Brasil 2016, organizado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), apontam recorde de violações no campo, número mais elevado desde quando a CPT iniciou a pesquisa, em 1985. O estudo foi divulgado na segunda-feira (17) na Conferência dos Bispos do Brasil, em Brasília.

Os dados mais alarmantes denunciados pelo relatório são da região onde opera o projeto MATOPIBA, do governo federal. Conflitos por terra cresceram mais de 300 por cento em Tocantins, que passou de 24 ocorrências em 2015 para 99 em 2016. O estado, segundo um dos fundadores da CPT, Antônio Canuto, está na nova fronteira de expansão do capital.

O projeto de desenvolvimento do agronegócio avança sobre o cerrado, que detém 14 por cento da população rural do país, mas registrou 24 por cento do total das localidades envolvidas em conflito. Canuto chama atenção, ainda, para os números referentes a região norte. Segundo ele, a Amazônia concentra grande parte da violência contra o povo do campo. São 881 ocorrências na Amazônia Legal, 57 por cento dos conflitos se concentram na região norte do país. O relatório aponta que dos 61 assassinatos, 48 foram registrados na região norte.

Para o militante, a causa do elevado crescimento das violações de direito dos trabalhadores do campo corresponde ao desmonte das instituições fiscalizadoras. Para ele, o ano de 2016 é um ano especialmente violento devido ao corte de recursos de instituições por parte do Governo, como Funai e Incra.

O secretário geral da CNBB, dom Leonardo Ulrich Steiner, ao ressaltar a importância do relatório, recorda aqueles que as denúncias fazem memória.  “Conflitos no Campo Brasil 2016” traz dados sobre violências sofridas por trabalhadores da zona rural, entre eles, indígenas, quilombolas e povos tradicionais. O documento está na trigésima segunda edição. (pulsar/cimi)

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