Via Veneto, fabricante da Coca-Cola e outros 48 nomes entram na ‘lista suja’ do trabalho escravo


(imagem: Repórter Brasil)

A última  “lista suja” traz uma fabricante da Coca-Cola e a Via Veneto, dona da marca de roupas Brooksfield Dona, entre as empresas e empregadores flagrados com trabalho escravo. Publicada em outubro pelo Ministério do Trabalho, essas são apenas dois dos 50 novos integrantes da lista, que traz 209 empregadores no total. O cadastro tem sido utilizado para análise de risco por investidores e bancos públicos e privados. Além disso, há empresas brasileiras e internacionais que evitam fechar negócios com esses empregadores.

A maior marca nacional a ingressar na lista é a Via Veneto. Roupas da sua marca feminina, a Brooksfield Donna, eram costuradas por bolivianos em jornadas de mais de 12 horas em uma oficina pequena, escura e com forte odor devido à ausência de limpeza. Na fiscalização, cinco trabalhadores imigrantes foram resgatados, todos bolivianos. Entre eles, uma adolescente de 15 anos. Na zona leste de São Paulo, os costureiros trabalhavam sem registro em carteira de trabalho e dormiam no próprio local de trabalho. Alguns, na cozinha.

Os auditores descobriram que a Brooksfield Donna repassava os pedidos de peças para a confecção MDS, que, por sua vez, repassava as peças cortadas para costura dos imigrantes bolivianos.

A nova lista suja traz ainda a fabricante da Coca-Cola, a Spal Indústria Brasileira de Bebidas, que integra o grupo Femsa. Fundado no México e presente em 11 países, é considerado o maior engarrafador de Coca-Cola do mundo. No Brasil, são 10 unidades para engarrafamento e 43 centros de distribuição. O tamanho da empresa contrasta com o modo como seus trabalhadores eram tratados.

Os caminhoneiros e ajudantes de entrega da Coca-Cola realizavam, em média, 80 horas extras por mês. Situações extremas chegavam a 140 horas extras por mês. Além de dias inteiros de trabalho ininterrupto na mesma semana em que o funcionário já acumulava o cansaço por fazer jornadas de 12 e 14 horas.

Em alguns casos, a sequência de jornadas exaustivas terminava em afastamento por atestado médico. Os auditores entenderam que essa situação colocava em risco a saúde e a segurança dos funcionários. A fiscalização ocorreu em 2015 e 2016 em quatro unidades da Spal em Belo Horizonte e Contagem, em Minas Gerais.

Além de grandes marcas, a “lista suja” traz ampla diversidade de empregadores, mostrando que a prática da exploração ainda está disseminada por diferentes setores do país. Entre os 50 que entraram no cadastro, há fazendeiros que já ocuparam cargos de vereadores ou de prefeitos.

A “lista suja” é uma base de dados mantida pelo Ministério do Trabalho e pelo Ministério dos Direitos Humanos, criada em novembro de 2003. A lista expõe casos em que houve resgate de pessoas em condições consideradas análogas à escravidão. As empresas na lista suja deste ano foram fiscalizadas entre 2005 e 2018. (pulsar/repórter brasil)

 

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