Vala de Perus: o primeiro nome sai da caixa e do esquecimento


(imagem: Danilo Ramos/RBA - CEMDP/reprodução)

(imagem: Danilo Ramos/RBA – CEMDP/reprodução)

Veio de Saravejo, na Bósnia e Herzegovina, uma informação esperada há décadas, com a identificação da primeira ossada da vala clandestina de Perus, após a retomada dos trabalhos de investigação, em 2014. A instituição contratada confirmou o nome à Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), que participa do esforço conjunto de análise das mil e 48 ossadas encontradas no Cemitério Dom Bosco, em Perus, região noroeste de São Paulo, em setembro de 1990.

O nome confirmado é o de Dimas Antônio Casemiro, militante e dirigente do Movimento Revolucionário Tiradentes (MRT), morto em abril de 1971 em São Paulo, aos 25 anos, e enterrado como indigente em Perus. O seu nome já constava como um dos prováveis desaparecidos no local. Natural de Votuporanga, no interior paulista, Dimas teve um irmão mais velho, Dênis, da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), executado em maio do mesmo ano.

Depois de um período em que as ossadas ficaram abandonadas, ameaçando qualquer possibilidade de identificação, em outubro de 2014 foi criado o Grupo de Trabalho Perus (GTP), envolvendo as secretarias nacional e municipal de Direitos Humanos, a Comissão Especial e a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Dessa parceria, também ameaçada com as mudanças de governo no país e na cidade, surgiu o Centro de Antropologia e Arqueologia Forense (Caaf), responsável pela análise do material – parte dele foi enviada em setembro do ano passado ao país do Leste Europeu para análise do material genético.

Segundo a Unifesp, a confirmação definitiva foi concluída na última sexta-feira (16), após o Grupo de Trabalho Perus (GTP) receber os resultados de exames de DNA. (pulsar/rba)

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