Um a cada três inscritos na última etapa do Mais Médicos não apareceu para trabalhar


(foto: Arquivo Saúde)

Mais de mil e 400 profissionais com registro no Brasil e inscritos na segunda chamada do Programa Mais Médicos não se apresentaram nas cidades que haviam escolhido. Esse é o balanço do Ministério da Saúde divulgado na última sexta-feira (11). Dos mil 707 que se inscreveram nesta etapa de seleção (de 7 a 10 de janeiro), menos de dois terços compareceram aos municípios escolhidos.

As 620 vagas que não foram ocupadas nesta segunda fase equivalem a um a cada três inscritos, e se somam a outras 842 vagas que também não haviam sido preenchidas após o fim da primeira etapa, encerrada em 18 de dezembro. O que corresponde a 17,2 por cento dos oito mil 517 postos de trabalho deixados pelos médicos cubanos, que deixaram o programa em 14 de novembro, pelas declarações “ameaçadoras e depreciativas” do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL).

De acordo com o Ministério da Saúde, a próxima chamada do programa está prevista para os dias 23 e 24. Nela, brasileiros graduados no exterior poderão selecionar municípios de alocação pelo site do programa. Nos dias 30 e 31 de janeiro, médicos estrangeiros poderão acessar o sistema e optar por localidades com vagas em aberto.

O governo havia afirmado que em um mês preencheria as oito mil e 500 vagas médicas deixadas pelos profissionais cubanos. A promessa, feita junto com o lançamento do edital de seleção para o Mais Médicos, em 20 de novembro, não se confirmou. Inicialmente, a chamada buscava profissionais brasileiros, com registro no país, para ocupar oito mil 517 vagas do programa. Dessas, cinco mil 968 foram preenchidas na primeira etapa de inscrição. As duas mil 549 vagas restantes foram, então, oferecidas novamente a médicos com diploma brasileiro na segunda etapa de seleção, que terminou nesta quinta (10).

No último dia 7, a médica cearense Mayra Pinheiro, secretária responsável pelo Mais Médicos no ministério, enviou mensagem de áudio pedindo aos médicos que não voltaram para Cuba preencherem um formulário. O mapeamento precederia a criação de cursos preparatórios, apoiados pela Associação Médica Brasileira e o Conselho Federal de Medicina, para submeter esse grupo a um “novo Revalida”.

Pinheiro, que em vídeo de 2013 aparece xingando os cubanos que desembarcavam no aeroporto de Fortaleza, disse aos médicos que o governo tem tido dificuldade em localizar todos que permaneceram no Brasil e chamou-os de“colegas” e “irmãos”.

A médica, que sempre colocou sob suspeita a capacidade técnica dos profissionais vindos de Cuba, na mensagem de áudio diz que o governo analisa editar uma medida provisória para garantir a permanência dos cubanos no programa que deverá chamar-se Mais Saúde, substituindo o Mais Médicos. (pulsar/brasil de fato)

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