Territórios indígenas no Pará estão ameaçados por obras do agronegócio no Tapajós


Avançam sobre o Tapajós projetos para transforma-lo em um grande corredor logístico para o escoamento de grãos (foto:Site Intersindical)

Avançam sobre o Tapajós projetos para transforma-lo em um grande corredor logístico para o escoamento de grãos (foto:Site Intersindical)

Os Munduruku são conhecidos como hábeis estrategistas na arte de guerrear. Há cerca de quinze dias, eles venceram mais uma batalha. Os indígenas conseguiram que a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) cancelasse uma audiência pública que discutiria a implementação da Ferrovia EF-170, conhecida como Ferrogrão, projetada para ligar os estados de Mato Grosso e Pará.

O empreendimento impacta o território indígena e os Munduruku não foram previamente consultados, como denuncia Alessandra Korap Munduruku, liderança da Associação Indígena Pariri.

Ela afirma que o empreendimento é uma forma dos estrangeiros [empresas] entrarem, principalmente os chineses. A indígena destaca ainda que é a soja  o que está matando os povos originários de todo o Brasil, pois para ter a soja é preciso desmatar, contaminar o rio, precisa derrubar, expulsar os ribeirinhos e os indígenas.

O empreendimento atende à expansão da fronteira agrícola e é destinado a ser um grande corredor logístico de soja e milho. A região do Tapajós, sudoeste paraense, é almejada pelo agronegócio para se tornar rota estratégica para a exportação de grãos, produzidos no Centro Oeste, com saída pela região Norte ao oceano. A rota atenderia com mais eficácia os consumidores em países da Europa e China, principais parceiros do Brasil.

Mas, além da Ferrogrão, existem hidrelétricas, portos, hidrovias, rodovias e pedidos de alvarás de exploração minerária ao Departamento Nacional de Pesquisa Mineral (DNPM). A situação é retratada no livro A Geopolítica de Infraestrutura da China na América do Sul: um estudo a partir do caso do Tapajós na Amazônia Brasileira, da autora Diana Aguiar, educadora popular da Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (FASE).

A pesquisadora cita o caso do Complexo do Tapajós, que visa a construção de seis hidrelétricas, todas em Itaituba, sudeste paraense. As usinas instaladas forneceriam energia para indústrias de mineração e as barragens formariam grandes lagos tornando o rio navegável, ponto favorável ao agronegócio.

Como um efeito dominó, outros empreendimentos que atingem os indígenas estão em curso na região. Um deles é o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) 119/2015, que autoriza a exploração do Rio Tapajós como hidrovia.  (pulsar/brasil de fato)

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