Seis estatísticas que mostram o abismo racial no Brasil


(foto: Rovena Rosa/ Agência Brasil)

(foto: Rovena Rosa/ Agência Brasil)

A população negra é a mais afetada pela desigualdade e pela violência no Brasil. É o que alerta a Organização das Nações Unidas (ONU). No mercado de trabalho, pretos e pardos enfrentam mais dificuldades na progressão da carreira, na igualdade salarial e são mais vulneráveis ao assédio moral, afirma o Ministério Público do Trabalho.

De acordo com o Atlas da Violência 2017, a população negra também corresponde a maioria (78,9 por cento) dos dez por cento dos indivíduos com mais chances de serem vítimas de homicídios.

Para Kátia Maia, diretora executiva da Oxfam, “Esse é um país que convive com uma desigualdade estrutural, especialmente em relação à questão racial”.

Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mais da metade da população brasileira (54 por cento) é de pretos ou pardos, sendo que a cada dez pessoas, três são mulheres negras.

Apenas em 2089, daqui a pelo menos 72 anos, brancos e negros terão uma renda equivalente no Brasil. A projeção é da pesquisa “A distância que nos une – Um retrato das Desigualdades Brasileiras” da ONG britânica Oxfam, dedicada a combater a pobreza e promover a justiça social.

O feminicídio também tem cor no Brasil: atinge principalmente as mulheres negras. Entre 2003 e 2013, o número de mulheres negras assassinadas cresceu 54 por cento, ao passo que o índice de feminicídios de brancas caiu dez por cento no mesmo período. Os dados são do Mapa da Violência 2015, elaborado pela Faculdade Latino-Americana de Estudos Sociais. Uma evidência de que os avanços nas políticas de enfrentamento à violência de gênero não podem fechar os olhos para o componente racial.

As mulheres negras também são mais vitimadas pela violência doméstica: 58,68 por cento, de acordo com informações do Ligue 180 – Central de Atendimento à Mulher, de 2015.

Elas também são mais atingidas pela violência obstétrica (65,4 por cento) e pela mortalidade materna (53,6 por cento), de acordo com dados do Ministério da Saúde e da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz).

Atualmente, de cada 100 pessoas assassinadas no Brasil, 71 são negras. De acordo com informações do Atlas, os negros possuem chances 23,5 por cento maiores de serem assassinados em relação a brasileiros de outras raças, já descontado o efeito da idade, escolaridade, do sexo, estado civil e bairro de residência.

O Brasil ainda abriga a quarta maior população prisional do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, da China e da Rússia. São 622 mil brasileiros privados de liberdade. Mais da metade (61,6 por cento) são pretos e pardos, revela o Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias (Infopen).

Além disso, somente dez por cento dos livros brasileiros publicados entre 1965 e 2014 foram escritos por autores negros, afirma pesquisa da Universidade de Brasília (UnB) que também analisou os personagens retratados pela literatura nacional: 60 por cento dos protagonistas são homens e 80 por cnto deles, brancos.

Já a pesquisa “A Cara do Cinema Nacional”, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, revelou que homens negros são só dois por cento dos diretores de filmes nacionais. Atrás das câmeras, não foi registrada nenhuma mulher negra. O fosso racial permanece entre os roteiristas: só quatro por cento são negros.

A crise e a onda de desemprego também atingiu com mais força a população negra brasileira: eles são 63,7 por cento dos desocupados, o que corresponde a mais de oito milhões de pessoas. Com isso, a taxa de desocupação de pretos e pardos ficou em 14,6 por cento – entre os trabalhadores brancos, o índice é menor: 9,9 por cento. Os dados são do IBGE. (pulsar/carta capital)

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