Reportagem especial: os retrocessos e impactos do Programa Future-se para a educação pública


(foto: Mídia Ninja)

O ano de 2019 foi marcado por intensos retrocessos dos direitos conquistados pelo povo brasileiro ao longo dos anos. Desde a entrada do governo de Jair Bolsonaro, setores como educação, economia e cultura vêm sendo alvos de ataques e desmontes. Um dos casos mais importantes refere-se ao corte de 30 por cento na verba destinada às universidades federais do país, anunciada pelo Ministério da Educação no dia 30 de abril deste ano. Em resposta aos cortes realizados, em julho foi lançado o programa Future-se, que propõe a captação de recursos para as universidades a partir de organizações sociais privadas. Nesta reportagem especial conversamos com diversos especialistas para entender melhor a questão.

Após justificar a redução das verbas destinadas às instituições como resultado da “balbúrdia” promovida nas universidades, o Ministério da Educação passou a fazer propaganda do Future-se focando em seu suposto caráter empreendedor. No entanto, de acordo com a professora de Políticas Públicas da Universidade Federal do ABC, a partir do momento em que a educação passa a ser financiada por instituições privadas, o ensino se torna uma mercadoria destinada aos lucros empresariais e não preocupado com os investimentos para reduzir as desigualdades e problemas sociais.

Dentre as 63 universidades federais, mais da metade delas já divulgaram notas de repúdio ao projeto, que promete criar um fundo de 102 bilhões de reais para atrair financiamentos privados. Contudo, segundo especialistas, a medida não supriria as necessidades das instituições de ensino que tiveram projetos de assistência estudantil e científico interrompidos, além das dívidas com empresas terceirizadas que fornecem serviços de limpeza e alimentação.

Estudantes e servidores públicos foram às ruas protestar contra o desmonte do ensino público brasileiro. Ainda sem um projeto de lei estruturado, o Future-se segue sendo visto pela comunidade acadêmica e estudiosos como uma proposta antidemocrática e que desvirtua a lógica autônoma de funcionamento das instituições públicas do país. (pulsar)

*Reportagem de Pâmela Dias, aluna de Jornalismo da Universidade Federal Fluminense. 

Audios:

Faça um comentário

− 1 = 3