Relatório aponta crescimento de 372% na concentração de terra no Brasil


Acampamento Dom Tomás Balduíno (foto: Ney Hugo/Mídia NINJA)

Acampamento Dom Tomás Balduíno (foto: Ney Hugo/Mídia NINJA)

A área das propriedades com mais de 100 mil hectares cresceu 372 por cento no Brasil desde 1985, apontou o Relatório DataLuta Brasil, do Núcleo de Estudos, Pesquisas e Projetos de Reforma Agrária (NERA) da Universidade Estadual Paulista (Unesp), lançado originalmente em 2014 e atualizado em janeiro deste ano.

Segundo o estudo, a reforma agrária segue em ritmo menor que a territorialização do agronegócio, principalmente por causa da grilagem e do processo de estrangeirização de terras – há donos de terras oriundos de pelo menos 23 países, sendo os principais: Estados Unidos, Japão,  Reino Unido, França e Argentina.

De acordo com o relatório, os principais investimentos nessas terras são em commodities: soja, milho, canola, colza, sorgo, cana de açúcar e monocultura de árvores, além da produção de sementes transgênicas.

Sobre o assunto, foram feitas comparações entre os governos “neoliberais” e “pós-liberais” – sendo o primeiro grupo formado pelos governos de José Sarney (1985-1990), Fernando Collor (1990-1992), Itamar Franco (1992-1995) e Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), e o segundo pelos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff (2003-2016).

A avaliação é de que nenhum dos dois grupos trataram a reforma agrária como uma política estratégica para um modelo de desenvolvimento alternativo. Em ambos, a política agrária estabelecida garantiu o controle territorial pelo chamado “binômio latifúndio”: o agronegócio e as políticas de desenvolvimento da agricultura, especialmente nos investimentos na produção e em tecnologias, que são majoritariamente voltados para o modelo hegemônico. (pulsar/brasil de fato)

Faça um comentário

60 + = 61