Polícia mata mais e morre menos, conclui levantamento sobre segurança pública


(foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta aumento no número de pessoas mortas pela polícia em 2018. No mesmo período, o número de policiais assassinados caiu. Especialistas apontam as causas da elevação e sugerem modificações na forma de atuar das polícias, além de mudanças na investigação de mortes envolvendo policiais militares.

Segundo os dados, seis mil 160 pessoas foram mortas por policiais em serviço ou folga – um aumento de 18 por cento, em comparação com 2017. Por outro lado, o número de policiais assassinados caiu quase 20 por cento. As estatísticas foram feitas em parceria com o Núcleo de Estudos da Violência da USP (Universidade de São Paulo) e o portal G1.

Abner, filho de Maria José Padilha Alves, era açougueiro e foi executado por policiais. O carro em que ele estava recebeu 20 tiros. A alegação dos policias é que o veículo era roubado, assim como o relógio e a corrente. “Ele nunca teve passagem pela polícia, nunca foi na porta da delegacia. Eu posso falar que atiraram no meu filho e sem motivo”, lamentou.

Solange de Oliveira, mãe do Victor, sabe que o filho estava errado. Na fuga de um assalto, foi morto por um policial civil. Entretanto, o jovem não atacou e nem reagiu, foi executado. “Ele executou meu filho porque ele se rendeu. O policial deu a sentença e não permitiu que o meu filho passasse pela mão do delegado. Em poucos segundos, ele decidiu que meu filho teria que pagar pelo erro dele com a vida”, disse.

David Marques, coordenador de projetos do Fórum, explica há casos de execução e de legítima defesa por parte do policial. “Para os casos em que não houve confronto e teve execução, você precisa ter um processo judicial e condenar essas pessoas. Para os casos onde isso é legítimo também deve dizer a ação foi justificada.”

Para Benedito Mariano, ouvidor da Polícia e São Paulo, os crimes realizados por policiais não deveriam ser investigados pelos próprios batalhões, mas pela corregedoria da polícia militar, que é especializada nestes casos. “Não tem sentido o órgão com essa expertise só apurar três por cento dos casos relacionados à letalidade”, afirma.

Os discursos dos governantes apoiando a violência policial e o pacote anticrime do ministro da Justiça, Sergio Moro, podem estimular e aumentar a letalidade policial. “Todo discurso que valoriza ocorrências que envolvem morte não contribui para a ação de legalidade democrática da polícia. O policial não foi feito para matar, mas para garantir segurança à população”, acrescenta Benedito. (pulsar/rba)

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