Polícia do Rio desmonta plano de milícias para assassinar Marcelo Freixo


(foto: Mayara Donária)

Milicianos do Rio de Janeiro teriam planos para matar o deputado estadual Marcelo Freixo (Psol-RJ). A ação criminosa estaria planejada para ocorrer neste sábado (15) durante compromisso político do parlamentar na zona oeste da capital fluminense e seria executada por um policial militar e dois comerciantes ligados a um grupo de milicianos da mesma região.

A Polícia Civil do Rio de Janeiro recebeu a informação pelo Disque Denúncia e confirmou a ameaça. O setor de inteligência da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro também colabora nas investigações.

Freixo foi atuante na cobrança por investigações sobre milícias e sua atuação no estado. Ele também presidiu, há dez anos, uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o tema no legislativo estadual.

“No mês em que a CPI das Milícias completa 10 anos, voltei a ser ameaçado. A CPI foi um marco no combate ao crime: mais de 200 indiciados e principais chefes presos. Apresentamos 48 medidas para enfrentar a máfia, mas nada foi feito”, afirmou o parlamentar pelas redes sociais.

Ele ressaltou a importância dos resultados da CPI. “O relatório da CPI é uma conquista porque é propositivo e indica caminhos para derrotarmos as milícias. Autoridades do Município, Estado e União receberam o documento, mas não avançamos. Milicianos continuam matando, ameaçando, tiranizando principalmente quem vive nas áreas mais pobres.”

Nestas eleições, Freixo foi eleito deputado federal e começa seu trabalho na Câmara dos Deputados de Brasília em fevereiro. No Rio, uma escolta policial 24 horas por dia o cerca, e isso desde que presidiu a CPI das Milícias. A vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ), assassinada há nove meses, foi auxiliar de Freixo nesta CPI.

“Sou deputado federal eleito e estou sendo ameaçado mais uma vez. Não é uma ameaça ao Freixo, mas à democracia. Não é uma questão pessoal, é muito mais que isso. A zona oeste está hoje sendo governada pelo crime. Desde 2008, quando presidi a CPI das Milícias, passei a contar com proteção policial por receber inúmeras ameaças concretas de morte. Apresentei medidas para o enfrentamento dos milicianos. O que foi feito? Nada”, disse Freixo.

Em nota, a bancada federal do Psol repudiou o “hediondo plano de execução” de Freixo e cobrou providências para a elucidação do assassinato da vereadora Marielle Franco. “A bancada federal do PSOL repudia esta trama, exige redobrada proteção a Marcelo Freixo, inclusive em Brasília, e cobra resultados da investigação que vitimou Marielle e Anderson”.

Os parlamentares cobram pela “ineficiência” da Polícia Civil em dar respostas ao crime da vereadora e seu motorista. “Essa ineficiência, que nutre a cultura da impunidade, faz com que criminosos se sintam à vontade para elaborar esse plano macabro de execução de Freixo. A planejada barbárie vulnerabiliza também a nossa já frágil democracia: a trama letal seria praticada em agenda pública do nosso parlamentar no próximo fim de semana”, diz a nota, assinada pelo líder do PSOL na Câmara, deputado Chico Alencar. (pulsar/rba)

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