Perfil dos juízes é conservador e distante da realidade do restante do país


(foto: Fernando Frazão/Fotos Públicas)

O balanço de dados sobre os juízes brasileiros, divulgado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), revela um perfil de homem, branco, 47 anos, casado e católico. O perfil revela uma forte concentração em nicho específico de classe social elitizada, com uma média salarial por mês de 47 mil  e 700 reais, incluindo benefícios, o que equivale a 50 salários mínimos. Além disso, 20 por cento deles têm parentes na magistratura.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a classificação de renda para pertencer à classe A leva em conta os salários acima de 19.080. Ou seja, os juízes ganham duas vezes e meia acima deste limite.

O contraste é maior quando se analisa o dado de raça dos juízes. Segundo o CNJ, 80,3 por cento dos juízes se declararam brancos e 18,1 por cento se declararam negros, com um percentual composto de 1,6 por cento de pretos e 16,5 por cento de pardos.

Em contrapartida, segundo os dados do Ministério da Justiça, entre a população carcerária do Brasil, que conta com mais de 726 mil presos, os negros representam 64 por cento do total contra 35 por cento de brancos.

O cruzamento das duas estatísticas mostra que o percentual de negros presos é 1,8 vezes maior do que o de brancos, enquanto o percentual de juízes brancos é 4,4 vezes maior que o de juízes negros.

Mais do que um contraste estatístico, a comparação mostra que o fator classe social tem influência desastrosa em decisões tomadas pelos magistrados.

O estudo do CNJ desvenda também uma diferenciação de gênero quando se compara a evolução da carreira dos juízes. No primeiro estágio da carreira, para o cargo de juiz substituto, as mulheres são 44 por cento do total. No segundo estágio, que é o cargo de juiz titular, elas passam a representar 39 por cento. Na fase seguinte, a queda é ainda maior: são apenas 23 por cento as desembargadoras. A desigualdade é aumentada quando se analisa o quadro de ministros nos tribunais superiores onde as mulheres têm apenas 16 por cento das vagas.

A pesquisa do CNJ analisou os dados sociais de 11.348 dos 18.168 magistrados do país. Confira aqui a íntegra do estudo. (pulsar/brasil de fato)

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