Pelo menos 24 defensores de direitos humanos foram mortos no primeiros quatro meses deste ano


(foto: reprodução)

(foto: reprodução)

Pelo menos 24 defensores de direitos humanos foram assassinados no Brasil nos quatro primeiros meses deste ano. Desses, 21 defendiam direitos agrários e faziam parte de movimentos e organizações de luta pela terra. Os dados foram levantados pelo Comitê Brasileiro de Defensores e Defensoras de Direitos Humanos – grupo formado por entidades da sociedade civil, como Artigo 19, Justiça Global, Comissão Pastoral da Terra (CPT) e Conselho Indigenista Missionário (Cimi).

O levantamento foi enviado, por meio de denúncia, à Organização das Nações Unidas (ONU) e à Organização dos Estados Americanos (OEA) com o objetivo de pressionar o governo brasileiro na proteção dos defensores e na responsabilização dos culpados pelos crimes.

É a primeira vez que o comitê faz o levantamento, por isso não há dados do ano passado. Porém, segundo a Comissão Pastoral da Terra (CPT), em todo o ano de 2015, foram registrados 50 assassinatos no país relacionados a conflitos fundiários; 90 por cento dos casos ocorreram nos estados do Maranhão, Pará e de Rondônia . A CPT faz o monitoramento desde 1985.

Entre os assassinatos levantados pelo comitê, estão os de quatro indígenas do povo Guajajara, da Terra Indígena (TI) Arariboia, no Maranhão, no intervalo de menos de um mês, entre os dias 26 de março e 22 de abril. O povo protesta contra madeireiros ilegais que exploram a área indígena. Segundo o Cimi, há pouca fiscalização no local e os crimes não são investigados.

Os conflitos agrários atingem não só indígenas, mas integrantes de movimentos sociais. O pesquisador da Justiça Global, Antonio Neto, disse que os assassinatos ocorridos no campo “mostram primeiro uma dívida histórica do Estado brasileiro em resolver o problema agrário”.

Pesquisador da questão agrária no Brasil, o professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP), Ariovaldo Umbelino de Oliveira, atribui a atual violência no campo à ausência de uma real reforma agrária no país e à queda no número de novos assentamentos. (pulsar/combate racismo ambiental)

Faça um comentário

+ 55 = 56