Parentes e amigos fazem homenagem a adolescente morto na Maré


Velório do adolescente Marcus Vinicius da Silva, baleado durante operação da Polícia Civil no Complexo da Maré, no Palácio da Cidade, em Botafogo, Zona Sul do Rio. (Fernando Frazão/Agência Brasil/Agência Brasil)

Velório do adolescente Marcus Vinicius da Silva, baleado durante operação da Polícia Civil no Complexo da Maré, no Palácio da Cidade, em Botafogo, Zona Sul do Rio. (Fernando Frazão/Agência Brasil)

Centenas de estudantes de mais de 40 escolas da favela da Maré, familiares e amigos do adolescente Marcus Vinicius da Silva, de 14 anos, morto na semana passada em operação policial na comunidade, fizeram hoje (27) uma manifestação em sua em homenagem e pela paz.

O ato ocorreu em frente ao Ciep Operário Vicente Mariano, onde Marcus Vinicius estudava. Os manifestantes portavam cartazes e camisas com frases como “a Maré precisa de paz” ou “vamos fazer do luto a nossa luta”  e fizeram um minuto de silêncio pela morte do estudante, dando um abraço na escola.

Durante o ato, foi distribuído um abaixo-assinado exigindo o cumprimento da instrução normativa da Secretaria de Segurança (Seseg), elaborada em conjunto com a Secretaria Municipal de Educação, que estabelece que o funcionamento das operações policiais em áreas sensíveis deve ser regido por “critérios pré-determinados”. O protocolo foi lançado após a morte da menina Maria Eduarda, de 13 anos, dentro de uma escola em Acari, na zona norte do Rio.

Uma das determinações é que operações policiais de qualquer natureza, feitas em áreas sensíveis, próximas a unidades de ensino, creches, postos de saúde e hospitais, em funcionamento, devem evitar que os estudantes se tornem alvos de infratores armados. Também devem evitar os horários de maior fluxo de entradas e saídas de pessoas, principalmente de estabelecimentos de ensino.

A manifestação de hoje contou com a presença do secretário municipal de Educação, Cesar Benjamim, e da Coordenadora da 4ª Coordenadoria Regional de Educação (4ª CRE), a professora Fátima Barros.

Mencionando o sonho educacional do antropólogo e educador Darcy Ribeiro, autor do projeto dos Cieps, o secretário destacou que a comunidade escolar está unida e fortalecida em sua luta pela paz e pela não violência.

“Estamos unidos e a família do Marcus Vinícius não está sozinha. Prosseguiremos em defesa da educação e da vida. Podemos mudar o Rio de Janeiro. Prosseguiremos na luta pela paz. A educação vencerá”, afirmou o secretário.

Na manhã da última quarta-feira (20), o adolescente Marcus Vinicius da Silva acordou às 8h, atrasado, e saiu apressado de casa, por um caminho que não durava mais que 20 minutos. Ele morreu à noite, no Hospital Estadual Getúlio Vargas, depois de ter sido baleado durante uma operação da Polícia Civil no Complexo da Maré. Segundo a corporação, a ação buscava cumprir 23 mandados de prisão e prender os suspeitos de terem participado da morte do chefe de operações da Delegacia de Combate às Drogas (Dcod). Houve tiroteio, e outras seis pessoas morreram. (pulsar)

*Informação da Agência Brasil

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