Para especialistas, legado de segurança da Copa é o despreparo do Estado


(foto: Erick Dau)

(foto: Erick Dau)

Especialistas reunidos no 8º Encontro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública avaliaram que o legado da Copa do Mundo no Brasil foi a exposição do despreparo do Estado brasileiro para lidar com as manifestações, atos que reivindicavam políticas públicas, mas que receberam dos governantes a falta de diálogo e a repressão.

Segundo Lucia Nader, da ONG Conectas Direitos Humanos, o balanço é de que “vários aspectos da democracia retrocederam no último ano, passando ou não pelo sistema legal de Justiça”. Repressão violenta de protestos, falta de investigações sobre abusos, buscas sem mandado e prisões sem provas são os principais pontos apontados como negativos. Para a organização, os policias na rua devem ser responsabilizados por excessos, mas é preciso lembrar que existe uma cadeia de comando, ou seja, é necessário verificar quem estabelece as ordens cumpridas na rua.

O representante da Anistia Internacional, Atila Roque, considerou que a situação relatada deixa claro que o país ainda não superou a transição da ditadura para a democracia. De acordo com Roque, o Estado se mostrou muito despreparado para lidar com os protestos e o direito à liberdade de expressão.

Roque citou um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que demonstra esse despreparo, na visão dos próprios policiais. Segundo a pesquisa, 64 por cento dos policiais admitiram não ter treinamento para lidar com protestos, 69 por cento disseram ter agido como foi possível, pois não tinham recebido orientação clara do comando e só 10 por cento afirmaram que agiram de forma correta. (pulsar/rba)

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