Para especialista, impeachment é golpe institucional e fere a democracia


(charge: Latuff)

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O Senado Federal aceitou, por 55 votos contra 22, a admissibilidade do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Após ser notificada da decisão, Dilma foi afastada do cargo por até 180 dias e, nesse período, o vice Michel Temer (PMDB) assume interinamente a Presidência da República. Para analisar o cenário político, a Pulsar Brasil conversou com Pedro Cláudio Cunca Bocayuva, professor do Núcleo de Estudos de Políticas e Direitos Humanos da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).

A sessão no Senado durou mais de 20 horas. Dos 81 senadores, 69 discursaram sobre seus motivos para acatar ou não o pedido de impeachment. Se o placar for repetido na votação final, quando são necessários 54 votos a favor do impeachment, Dilma perderá definitivamente o cargo e ficará inelegível por oito anos.

A ascensão de Michel Temer à Presidência pode propiciar um ambiente favorável para a chamada bancada BBB (Boi, Bala e Bíblia). Forças altamente relevantes no Congresso mais conservador desde de 1964, parlamentares evangélicos, ruralistas e ligados à segurança pública preparam uma coleção de pautas polêmicas para serem aprovadas até 2018, muitas das quais não tiveram apoio do PT e do governo Dilma.

Para Pedro Cláudio Cunca Bocayuva, o que se vê neste momento é um golpe institucional em fase de evolução e apoiado por uma forte base midiática. Para ele a esquerda está enfraquecida e o próprio PT provocou isso quando optou por realizar uma política de governo rendida aos aliados.

O professor defende a necessidade da reforma política, com a ideia de ampliação da democracia representativa. Ele acredita que a soberania democrática e eleitoral está sendo usurpada com a tentativa de golpe que está em curso. Bocayuva ainda mostra preocupação com as eleições municipais previstas para este ano, que podem ser influenciadas pelo panorama nacional. (pulsar)

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