Para Anistia Internacional, letalidade policial ameaça legado dos Jogos Olímpicos


(foto: reprodução)

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Um relatório divulgado nesta quinta-feira (2) pela Anistia Internacional mostra que a alta letalidade policial que ocorreu antes da Copa do Mundo de 2014 se repete antes do início dos Jogos Olímpicos. A organização diz que a ação das forças de segurança coloca em xeque a promessa de legado de uma cidade segura para todos.

Desde 2009, quando a cidade do Rio de Janeiro foi escolhida para ser sede das Olimpíadas, duas mil e 500 pessoas foram mortas pela polícia somente na cidade e quase nenhum destes casos foi esclarecido. Átila Roque, diretor executivo da Anistia Internacional, lembra que as autoridades prometeram melhorar a segurança para toda a população. No entanto, a promessa não foi cumprida.

A publicação “A violência não faz parte desse jogo! Risco de violações de direitos humanos nas Olimpíadas Rio 2016” traça uma comparação entre as mortes causadas por policiais no ano que antecedeu a Copa do Mundo com as mortes ocorridas no ano olímpico.

No ano do torneio de futebol, 580 pessoas foram mortas pela polícia em todo o Rio de Janeiro. Um aumento de 40 por cento em relação a anos anteriores. Em 2015, uma em cada cinco pessoas assassinadas no estado foi executada pelas forças policiais. A grande maioria das vítimas é de jovens negros moradores das periferias. Para Átila Roque, “a tática de ‘atirar primeiro e perguntar depois’ acaba por colocar o Rio entre as cidades onde a polícia mais mata no planeta”.

De acordo com o relatório, as autoridades brasileiras anunciaram que cerca de 65 mil policiais e 20 mil soldados das Forças Armadas vão fazer a segurança dos jogos. O que, segundo a Anistia, é a maior operação da história do Brasil. A crítica feita por Átila Roque é que as autoridades brasileiras não fiscalizam os agentes de segurança para garantir que normas internacionais sobre o uso de armas de fogo sejam cumpridas corretamente.

Outra preocupação é a Lei Geral das Olimpíadas, que impõe restrições à liberdade de expressão em zonas específicas da cidade do Rio.

O relatório relembra que, nos dias que antecederam as partidas de futebol em 2014, antes dessas leis serem elaboradas, policiais usaram gás lacrimogêneo, bombas de efeito moral e balas de borracha para dispersar, com força desproporcional, protestos pacíficos, quando até jornalistas foram feridos e dezenas de pessoas chegaram a ser “arbitrariamente detidas”. (pulsar/portal fórum)

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