Ovos, pedras, tiros: a escalada extremista contra a caravana de Lula


Ônibus onde se encontravam jornalistas e comitiva que acompanhavam a caravana foram alvo de emboscada / (foto: Daniel Giovanaz/Brasil de Fato)

Ônibus onde se encontravam jornalistas e comitiva que acompanhavam a caravana foram alvo de emboscada / (foto: Daniel Giovanaz/Brasil de Fato)

A escalada de violência contra a caravana do ex-presidente Lula pelo Sul do Brasil chegou ao seu ápice com os quatro tiros disparados contra os ônibus que acompanhavam o petista na terça-feira, dia 27. A proliferação de grupos extremistas na região impressiona, assim com o recrudescimento de suas táticas: de ovos, passaram a atacar pedras, jogar pregos no asfalto até, enfim, empunharem armas de fogo.

O desenho do mapa político da região formada por Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná foi claramente demarcado na votação que determinou o afastamento da presidenta eleita Dilma Rousseff. Dos 77 deputados dos três estados, 52 apoiaram o impeachment que colocou Michel Temer na presidência.

O domínio conservador nos governos estaduais e nas três capitais, além da maior parte do interior dos estados, está diretamente relacionada à criminalização do Partido dos Trabalhadores e os ataques à Lula.

Diante desse cenário, era possível prever manifestações contrárias à passagem da caravana, mas nem os mais pessimistas imaginavam um quadro tão preocupante de violência e ódio por parte grupos fascistas, cuja atuação tem recebido vista grossa de parte da classe política.

Os acontecimentos, de acordo com o deputado federal Fernando Franceschini (SD-PR), deveriam servir de exemplo para os paranaenses de como se portar diante da caravana.O delegado postou em suas redes a frase “o meu candidato é apoiado pela polícia, o seu é procurado por ela”, em alusão ao seu apoio a Bolsonaro e rejeição a Lula.

Apesar da pressão, os atentados não conseguem impedir o avanço da comitiva devido à presença de movimentos como o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra(MST) e da Central Única dos Trabalhadores (CUT), responsáveis muitas vezes por garantir a segurança do ex-presidente e das equipes de trabalho que seguem a viagem.

Em meio à escalada fascista, o Judiciário define o futuro do ex-presidente. O Tribunal Regional Federal de Porto Alegre (TRF-4)  rejeitou os recursos apresentados pela defesa de Lula, que agora aguarda o julgamento de seu habeas corpus no Supremo Tribunal Federal. O impasse gera ainda mais instabilidade no cenário social e dá munição aos que se comportam não como adversários políticos, mas como inimigos do exercício democrático. (pulsar/carta capital)

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