Organizações de direitos humanos temem que PF não conclua investigações em Pau D’Arco


Polícia Federal realizou a reconstituição da chacina que matou dez pessoas na fazenda Santa Lúcia, em Pau D'Arco (foto: Ascom PF)

Polícia Federal realizou a reconstituição da chacina que matou dez pessoas na fazenda Santa Lúcia, em Pau D’Arco (foto: Ascom PF)

O Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) e o Comitê Brasileiro de Defensoras e Defensores de Direitos Humanos estão apreensivos com o andamento das investigações da Polícia Federal (PF) sobre a chacina de Pau D’Arco, no Pará. A preocupação surgiu após a saída de férias do delegado da Polícia Federal (PF) que está à frente do caso. A equipe de policias federais que investigam os assassinatos dos dez sem-terra também não foi renovada pelo governo federal.

De acordo com Darcy Frigo, presidente do Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) e da organização não governamental Terra de Direitos, este é um momento crucial da investigação, principalmente porque o Pará vive uma onda de violência no campo e o governo do estado já reconhece que os trabalhadores rurais foram executados durante a operação policial, que tinha como objetivo o cumprimento de mandados de prisão.

Outra preocupação que Frigo ressalta é em relação à segurança dos promotores, advogados e trabalhadores e trabalhadoras rurais que moram na região. Após a morte de um dos líderes da ocupação na Fazenda Santa Lúcia, Rosenildo Pereira de Almeida, as organizações ficaram ainda mais preocupadas com a possibilidade de ocorrer mais casos de homicídios.

Como tentativa de ajudar nos processos medida, o CNDH, a Comissão de Direitos Humanos da Câmara e a Procuradoria dos Direitos do Cidadão solicitaram uma audiência com o ministro da Justiça e Segurança Pública, Torquato Lorena Jardim, além de pedirem que seja enviado força de segurança externa à região “visto que a polícia militar e civil estão envolvidas no massacre”. A medida tem o objetivo de assegurar a proteção das pessoas que estão envolvidos com o caso. A solicitação da audiência ainda aguarda resposta do ministro.

A coordenadora da Justiça Global, Sandra Carvalho, organização que integra o Comitê, lembra que na primeira versão contada pelos policias do governo do estado paraense as mortes foram ocasionadas em legítima defesa mediante confronto, versão essa que não é mais sustentada.

Em nota, a Polícia Federal informou que a investigação sobre o que ocorreu na fazenda Santa Lúcia não será interrompida. (pulsar/brasil de fato)

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