Obras de Bolsonaro para Amazônia abrem a floresta ao agronegócio


(foto: Jefferson Rudy/MMA)

O governo de Jair Bolsonaro elabora um “pacote” de obras de “desenvolvimento” para a região amazônica, com projetos de infraestrutura como uma ponte sobre o Rio Amazonas na cidade paraense de Óbidos, além de uma hidrelétrica em Oriximiná, também no Pará, e a extensão da BR-163 até a fronteira do Suriname, de acordo com informações do jornal O Estado de S. Paulo.

Para o deputado federal Nilto Tatto (PT-SP), apesar do discurso de que o desenvolvimento amazônico tem como objetivo, entre outros, a defesa da soberania brasileira contra interesses multinacionais, a intenção do governo é bem diferente.

“Eles querem retomar, do ponto de vista político-ideológico, o mesmo discurso do período da ditadura. Mas existe uma grande contradição entre o uso antigo da ideia de soberania, de ocupar e integrar a região contra a cobiça internacional, e os interesses reais. Na verdade, esse conjunto de obras e infraestrutura é para poder facilitar a entrega de patrimônio nacional para o capitalismo internacional”, diz o parlamentar.

Tatto relaciona projetos de infraestrutura, como os revelados pelo jornal paulistano, a serem levados a cabo pelo governo de Bolsonaro, com o objetivo de contemplar os próprios compromissos de campanha do atual presidente com seus apoiadores da elite econômica.

“O sentido desses projetos é a ampliação da ocupação, seja para mineração, seja para agricultura e agronegócio, em detrimento dos direitos de populações locais, dos povos indígenas, ribeirinhos e outros grupos, e também em prejuízo da sustentabilidade e inclusão social dessas populações.”

A meta faz parte do contexto das prioridades do governo em relação ao patrimônio nacional, tal como desenvolvido nos quase três anos do governo de Michel Temer.

“É a ideia da entrega de patrimônio nacional, numa visão de privatização de empresas públicas e venda de terras para estrangeiros”, acrescenta o deputado. “Abrem-se estradas da Amazônia para, depois, facilitar a entrega de grandes extensões de terras para o próprio agronegócio e às empresas estrangeiras. Hoje, o agronegócio é extremamente financeirizado, com os grandes fundos dominando a cadeia dos negócios.”

O Ministério do Meio Ambiente é comandado, no governo Bolsonaro, por Ricardo Salles. No programa Roda Viva da última segunda-feira (11), Salles causou indignação ao desdenhar do líder seringueiro Chico Mendes. (pulsar/rba)

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