No Pará, padre que atua em defesa dos direitos humanos é preso


Padre Amaro assumiu o trabalho desenvolvido pela Irmã Dorothy (foto: CPT)

Padre Amaro assumiu o trabalho desenvolvido pela Irmã Dorothy (foto: CPT)

Mais um caso grave de violação está ocorrendo com um defensor de direitos humanos no Brasil. Padre José Amaro Lopes de Sousa, mais conhecido como Padre Amaro, foi o braço direito de Irmã Dorothy Stang, assassinada em 2005 na cidade de Anapu. Desde a morte da missionária, o pároco assumiu o trabalho da Irmã de defesa dos assentamentos sem-terra, reforma agrária e fundiária no sudoeste do Pará.

Na última terça-feira (27), Padre Amaro, que é agente da Comissão Pastoral da Terra (CPT), foi detido previamente com base em provas de fontes que são constantemente denunciadas pelo pároco: os fazendeiros de Anapu.

À Pulsar Brasil, Padre Paulo da Silva que é assessor da CPT Regional Pará explica que desde o assassinato da Irmã Dorothy, os conflitos agrários em Anapu aumentaram. Ele conta ainda que o Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS), criado para priorizar a convivência entre a agricultura e a preservação da floresta, nunca foram aceitos pelos fazendeiros locais.

Desde o início do trabalho, Padre Amaro, que atua na Paroquia de Santa Luzia de Anapu, da Prelazia do Xingu, recebe constantes ameaças de morte. Padre Paulo afirma que após a transferência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) para a cidade de Altamira, a situação ficou ainda mais grave, culminando com assassinatos de trabalhadores rurais que viviam nos Projetos de Desenvolvimento Sustentáveis

Segundo Padre Paulo, as acusações de assédio, ameaça, extorsão e esbulho são incabíveis e falsas. O assessor destaca que é uma tentativa de silenciar Padre Amaro pelo trabalho de denunciar a mercantilização de terras públicas da União na localidade.

Advogados da CPT já entraram com o pedido de habeas corpus de Padre Amaro, que está detido no mesmo presídio que o mandante do assassinato de Irmã Dorothy. Por meio de nota, a Comissão Pastoral da Terra repudiou o ‘processo de criminalização promovido por agentes da polícia civil de Anapu contra o pároco, a partir de acusações infundadas, com o intuito de desmoralizar toda a sua luta’.  (pulsar)

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