No Pará, mais de 700 famílias produtoras rurais ficam sem ter para onde ir após despejo


As famílias desmontam suas casas durante o cumprimento da liminar (foto: MST)

As famílias desmontam suas casas durante o cumprimento da liminar (foto: MST)

O Comando de Missões Especiais (CME) da Polícia Militar cumpriu, nesta segunda-feira (27), a determinação judicial de reintegração de posse do acampamento Helenira Rezende, localizado às margens da BR-155, entre Marabá e Eldorado do Carajás, na região sudeste do Pará.

Cerca de 700 famílias viviam no acampamento e ocupavam uma área de, aproximadamente, dez mil hectares espalhados em lotes e vilas pelas fazendas Cedro e Fortaleza. As áreas integram um conjunto de fazendas chamado Complexo Cedro, do qual a empresa Agro Santa Bárbara Xinguara S/A afirma ser a proprietária.

Em matéria publicada em 2009, a ONG Repórter Brasil, informou que a Agro Santa Barbará foi alvo de investigação do Ministério Público Federal (MPF-PA), e processada pelo desmatamento ilegal de 51 mil hectares da Floresta Amazônica, uma área que equivale a um terço do município de São Paulo. Há ainda em seu registro, segundo a reportagem, histórico de casos de trabalho escravo.

De acordo com o MST, as famílias do acampamento criam galinhas, porcos e gado bovino. São produzidos ovos, leite e queijo. Só de leite são produzidos mais de mil e 500 litros por dia. Há plantações de dez mil pés de bananas e 40 hectares de mandioca, além de outras hortaliças, que garantem a alimentação e o sustento das famílias.

Durante a audiência realizada no Fórum da Comarca em Marabá na semana passada, o advogado da Comissão Pastoral da Terra (CPT), José Batista, informou que a empresa e a Superintendência Regional do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) no Pará, estavam em negociação para realizar a venda e a compra das áreas e assim assentar as famílias. Contudo, o processo ficou parado. (pulsar/brasil de fato)

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