Nação Guarani se manifesta contra “sequestro institucional” de crianças no MS e prisões no Oeste do PR


IV Encontro Continental Guarani, ocorrido em 2015 (foto: Diego Pelizzari/Cimi)

IV Encontro Continental Guarani, ocorrido em 2015 (foto: Diego Pelizzari/Cimi)

O Conselho Continental da Nação Guarani (CCNAGUA) se manifestou, por intermédio de duas notas públicas, em repúdio às prisões de cinco indígenas Guarani do tekoha Mokoy Joegua, município de Santa Helena, no oeste do Paraná, e pelo “sequestro institucional” de crianças Guarani e Kaiowá na região de Dourados, no Mato Grosso do Sul.

As notas partiram do Conselho Executivo, reunido entre os dias 23 e 24 de março em Assunção, capital do Paraguai. Para os Guarani, as violações de direitos são danosas à existência física e cultural do povo caracterizando crime de genocídio.

Em relatório divulgado pela Fundação Nacional do Índio (Funai) de Dourados, as denúncias feitas pela Aty Guasu, grande assembleia Guarani e Kaiowá, se tornaram oficiais para o estado: crianças indígenas estão sendo retiradas das aldeias, semanalmente, pelo Conselho Tutelar e levadas para abrigos da região Cone Sul do Mato Grosso do Sul.

Para o Conselho, se trata de “sequestro institucional”. Em Dourados vivem aproximadamente 215 mil pessoas, das quais 21 mil são indígenas. Contudo, 60 por cento das crianças acolhidas nas instituições e abrigos pertencem a algum povo da região. Dos 79 acolhidos em Dourados, 50 são indígenas.

O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) levou a denúncia às Nações Unidas (ONU) no início de março. A realidade foi denunciada também pela organização indígena ao Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) e ao comissário da Organização dos Estados Americanos (OEA), em reunião realizada em novembro na capital federal.

Uma ilha formada pelo lago da Usina Hidrelétrica de Itaipu é hoje uma retomada, mas antes aldeia e habitada por diversas famílias Guarani, expulsas pela Itaipu Binacional, em 1982, quando as comportas da maior represa do mundo foram fechadas. Neste local, cinco indígenas Guarani foram presos por retirar taquara. A detenção foi realizada pela Polícia Ambiental sob alegação de que os Guarani cometeram em flagrante crime ambiental.(pulsar/cimi)

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