Mulheres negras continuam sub-representadas na política


Mulheres negras nas eleições 2016 (foto: reprodução)

Mulheres negras nas eleições 2016 (foto: reprodução)

Uma pesquisa divulgada pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) evidencia o sexismo e o machismo como mecanismos estruturais de opressão e de marginalização de minorias de gênero e étnicas no Brasil. Parcelas que são maioria no país são sub-representadas na política.

O levantamento, divulgado nesta segunda-feira (26), mostra que 14,2 por cento do total de candidaturas para vereador é de mulheres negras. Entretanto, é importante ressaltar que, por negra, entende-se parda e preta, de acordo com a classificação do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Levando em consideração apenas as auto-declarações de mulheres como pretas, a porcentagem cai para 2,64 por cento.

O mesmo acontece com as prefeituras e subprefeituras. Na nomenclatura e recorte do conceito de negritude, 0,13 por cento representam as mulheres negras na disputa por prefeituras. Tomando apenas a auto-declaração, os números caem para surpreendentes 0,01 por cento para prefeitas e 0,03 por cento para vice-prefeitas. Na prática, isso significa que dos cinco mil 570 municípios brasileiros, concorrem para prefeitura apenas 60 mulheres negras, e para a vice prefeitura, 135.

O estudo revela ainda os estados da federação que mais têm candidatas negras (pretas e pardas): em primeiro lugar está o Amapá, com 25,2 por cento, seguido pelo Acre, que apresenta 25 por cento, e pelo Pará, com 24,9 por cento.

São Paulo, Bahia e Minas Gerais são os três estados brasileiros com o maior número de mulheres negras em sua população, mas a desproporcionalidade fica evidente com o estudo. São Paulo tem 7,8 por cento do total de candidaturas de mulheres negras concorrendo nas eleições de 2016, um total de seis mil 678 mulheres, enquanto Bahia tem 24 por cento, oito mil 759, e Minas Gerais apresenta 15 por cento, 11 mil 724.

Para Carmela Zingoni, assessora política do Inesc, “Os dados das candidaturas às Eleições 2016 demonstram, mais uma vez, que os espaços de poder institucionalizados continuam fechados para as mulheres negras no Brasil”. (pulsar/portal fórum)

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