Mulheres do MST ocupam fazenda de João de Deus em Goiás


(foto: MST)

Cerca de 800 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a maioria mulheres, ocuparam uma fazenda do médium João de Deus em Anápolis, interior de Goiás, na manhã desta quarta-feira (13). A ação faz parte da Jornada Nacional de Lutas das Mulheres Sem Terra, que começou na última semana com mobilizações em todo país.

A fazenda Agropastoril Dom Inácio tem cerca de 600 hectares e encontra-se improdutiva, sem plantio ou criação de animais. A sede não foi ocupada. As trabalhadoras rurais pretendem manter a ocupação da fazenda, reivindicando a desapropriação da área para que seja destina à reforma agrária.

Segundo as militantes, a Polícia Militar rondou a propriedade algumas vezes, mas não procurou estabelecer diálogo com as lideranças da ocupação. Também não houve contato com eventuais representantes do médium, que está preso.

João de Deus foi preso em dezembro do ano passado, acusado formalmente de abuso sexual contra dezenas de mulheres durante sessões de atendimento espiritual em seu centro, na cidade de Abadiânia, município de Goiás, próximo ao Distrito Federal.

As acusações chegam a mais de 500 casos, mas muitos já prescreveram. João de Deus acumulou fortuna com o que arrecadou em doações e cobranças pelos supostos serviços espirituais.

“João de Deus tem um patrimônio aproximado de 36 milhões de reais, com seis propriedades rurais. O entendimento das companheiras que estão fazendo essa luta é que essas propriedades têm ligação com esse processo de violência cometido contra muitas mulheres. Por justiça, essas áreas devem ter uma destinação social”, afirma Marina dos Santos, da direção nacional do MST.

Nessa jornada de lutas, as mulheres do MST também protestam contra a proposta de reforma da Previdência do governo Bolsonaro, por entenderem que elas são as mais prejudicadas pelas mudanças pretendidas nas aposentadorias.

Elas também cobram o esclarecimento do assassinato da vereadora Marielle Franco e Anderson Gomes, com a responsabilização não só dos executores, mas também dos mandantes do crime. (pulsar/rba)

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