Mulheres debatem feminismo e constroem a agroecologia


(foto: Fábio Caffé)

(foto: Fábio Caffé)

O III Encontro Nacional de Agroecologia (III ENA) levou quebradeiras de coco, agricultoras do campo e da cidade, quilombolas, ribeirinhas,  indígenas e pesquisadoras ao campus da Universidade Federal do Vale São Francisco (Univasf), em Juazeiro, Bahia. Pelo menos 50% dos participantes do evento são mulheres.

“Sem feminismo não há agroecologia” foi a principal mensagem da plenária que reuniu aproximadamente 700 pessoas, sendo pelo menos 80%  mulheres. Nos relatos elas deram exemplos de como o machismo atrapalha a construção de uma agricultura que respeite a diversidade, o conhecimento tradicional e a natureza.

As agricultoras falaram de diversos problemas. Muitas vezes os maridos não entendem a participação delas em movimentos sociais. O preconceito de gênero também se expressa fora de casa quando gerentes de bancos, por exemplo, não acreditam no trabalho de agricultura desenvolvido por elas, o que dificulta a liberação de crédito.

Josefa dos Santos Jesus, de 56 anos, emocionou a plateia com seus versos cantados lembrando a pele queimada pelo sol, os cabelos secos e as mãos grossas das agricultoras. Ela é descendente de quilombolas de Sítio Alto, no município de Simão Dias, em Sergipe. A agricultora conta que seu povoado fica isolado, sem acesso às políticas públicas.

Enfrentando muitas dificuldades, Josefa relata que a vida melhorou depois que ela teve “a criatividade” de organizar a população em torno de uma associação em 1995, da qual ela é presidenta. Durante o III Ena, muitas histórias como a de Josefa deixaram evidente a importância das mulheres na produção de alimentos agroecológicos. Realizado durante quatro dias em Juazeiro, na Bahia, o evento se encerra nesta segunda-feira (19).  (pulsar)

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