MPF investiga ataques contra os indígenas em Caarapó


Enterro do agente de saúde indígena Clodiodi Aquileu Rodrigues de Souza, 23 anos, Reserva Te'ykue, Caarapó, MS (foto: Ana Mendes)

Enterro do agente de saúde indígena Clodiodi Aquileu Rodrigues de Souza, 23 anos, Reserva Te’ykue, Caarapó, MS (foto: Ana Mendes)

Na última quarta-feira (13) o Ministério Público Federal (MPF), por meio da operação Força Tarefa Avá Guarani, publicou uma nota em que repudia e informa dados sobre o último ataque sofrido pelos índios Guarani e Kaiowá no dia 11 de julho em Caarapó, no Mato Grosso do Sul.

No documento, o órgão expressa extrema preocupação com a vulnerabilidade em que se encontram os indígenas da região, que já sofreram três ataques em menos de um mês, deixando um morto e cerca e treze feridos. O MPF destaca a necessidade de ações concretas em Caarapó para garantir a vida e o direito territorial dos povos originários.

Dois dias após o último atentado, integrantes do Ministério Público Federal, acompanhados de agentes da Polícia Federal, visitaram o território indígena. Trabalhadores rurais da região foram ouvidos. Todos confirmaram a passagem de caminhonetes e um caminhão na direção da aldeia.

De acordo com a nota, em depoimento, os indígenas afirmam que os agressores efetuaram disparos com armas de fogo em direção à comunidade expressando declarações racistas. Para os Guarani, sitiantes próximos ao acampamento seriam os prováveis autores da violência.

Segundo o MPF, os dois atos de violência já estão sendo investigados pela Força-Tarefa (FT) Avá Guarani, instituída pelo procurador geral da República para apurar crimes contra as comunidades indígenas de Mato Grosso do Sul. No mês passado, as investigações da operação resultaram no ajuizamento de duas denúncias contra doze pessoas por formação de milícia armada contra os índios.

O documento informa que a Terra Indígena Dourados Amambaipegua I engloba terras de 87 propriedades rurais de Caarapó, Laguna Carapã e Amambai. A delimitação da área é recente, realizada há 2 meses, por portaria da Funai publicada em 13 de maio de 2016 no Diário Oficial da União.Segundo estudos antropológicos, há relatos da ocupação indígena desde o século XVII.(pulsar)

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