MP de São Paulo ouve relatos de jornalistas agredidos pela PM em manifestações


Jornalistas agredidos em manifestações (foto: EBC)

Jornalistas agredidos em manifestações (foto: EBC)

O Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) ouviu na última quarta-feira (28), em audiência pública na capital paulista, profissionais da imprensa que foram agredidos ou tiveram o trabalho cerceado pela polícia nas manifestações de rua nos últimos cinco anos. Os depoimentos, recebidos formalmente pela Promotoria de Justiça dos Direitos Humanos, serão incluídos em inquérito civil aberto no final de junho pelo órgão. Os casos colhidos também serão repassados às promotorias criminais do MP.

Durante a audiência, dezoito profissionais de imprensa relataram ter sofrido violência por parte da polícia nas manifestações, mesmo estando identificados como jornalistas. Nos depoimentos, os profissionais narraram ter recebido tiros de balas de borracha no rosto, golpes de cassetete na cabeça, jatos de gás pimenta na face e xingamentos. Os jornalistas contaram também que tiveram equipamentos, como câmeras e cartões de memória, destruídos pelos agentes do Estado.

Na maioria dos depoimentos, os repórteres disseram acreditar que, a partir das manifestações de 2013, os jornalistas passaram a ser “alvo” de ações violentas da polícia em razão de darem publicidade à maneira como os agentes do Estado atuam nos protestos.

O repórter fotográfico do jornal Folha de São Paulo, Fábio Braga, disse em seu depoimento que, em uma manifestação em junho de 2013, foi baleado a queima-roupa com munição não letal por um policial militar porque não quis deixar de fotografar a ação de um agrupamento da Força Tática que encurralou manifestantes junto a uma banca de jornal nas proximidades da Rua da Consolação, no centro da capital paulista.

Yan Boechat, jornalista profissional há 20 anos, colaborador de veículos como a revista IstoÉ e o jornal Valor Econômico, relatou ter sido agredido, em uma manifestação em 2013, por 13 policiais em um posto de combustível após ter registrado com sua câmera agressões dos policiais contra um membro do Grupo de Apoio ao Protesto Popular (Gapp), um coletivo que faz atendimento de primeiros socorros a manifestantes feridos.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo, Paulo Zocchi, foram registramos mais de 150 jornalistas agredidos no estado pela polícia em manifestações. Segundo ele, há uma ação da polícia deliberadamente voltada contra os profissionais de imprensa.

Segundo o promotor de Justiça de Direitos Humanos, Eduardo Valério, que presidiu a audiência pública, os depoimentos vão servir de prova no inquérito civil demonstrando que os profissionais da imprensa têm sido hostilizados nas manifestações por policiais militares. De acordo com ele, o MP pretende com a ação fazer alterações estruturais na polícia. (pulsar/portal fórum)

 

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