Movimentos marcham em defesa da água e encerram Fama 2018


(foto: Matheus Alves)

(foto: Matheus Alves)

Mais de sete mil trabalhadores do campo, da cidade, das florestas e das águas, de diversos países, marcharam na última quinta-feira (22), Dia Mundial da Água, pelas avenidas de Brasília em defesa do recurso como bem público e direito humano para todos e contra a presença do setor privado, que avança sobre a exploração de fontes, sobre a distribuição, a comercialização e o controle dessas reservas.

Após a caminhada, acompanhada por forte aparato policial e dispersada antes do fim pela forte chuva, os participantes seguiram para o pavilhão do Parque da Cidade. Um ato inter-religioso, com representantes da fé professada por todas essas populações, marcou o encerramento.

Maior fórum alternativo já realizado, o Fórum Alternativo Mundial da Água – Fama 2018 teve início no sábado (17), em contraponto ao 8º Fórum Mundial da Água. Patrocinado por empresas diretamente interessadas em concessões, como a Nestlé e a Coca Cola, entre outras, o fórum oficial, com caráter tecnológico e comercial, termina nesta sexta (23), na capital federal.

Em seis dias, o Fama 2018 realizou mais de 200 palestras, debates, seminários, painéis, atividades autogestionadas e assembleias. Organizado por 37 entidades ligadas aos povos e comunidades tradicionais, indígenas, camponeses, mulheres, religiosos, movimentos sindicais e ambientais, Ongs e comitês criados nos estados para o encontro. Participaram ainda mais de 170 representantes internacionais, de países dos cinco continentes.

O Fama 2018 reafirmou as lutas em defesa das águas, que não são e nem podem ser transformadas em mercadoria, apropriadas, exploradas e destruídas para lucratividade dos negócios.

Um trecho da declaração final afirma que “Água é um bem comum e deve ser preservada e gerida pelos povos para as necessidades da vida, garantindo sua reprodução e perpetuação. Por isso, nosso projeto para as águas tem na democracia um pilar fundamental. É só por meio de processos verdadeiramente democráticos, que superem a manipulação da mídia e do dinheiro, que os povos podem construir o poder popular, o controle social e o cuidado sobre as águas, afirmando seus saberes, tradições e culturas em oposição ao projeto autoritário, egoísta e destrutivo do capital”.

A Pulsar Brasil produziu uma série intitulada “Especial FAMA 2018 – Impactos da Mineração”. Para conferir e ouvir as dez reportagens clique aqui.

Para ler a declaração final na íntegra clique aqui. (pulsar/rba)

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