Moradores da Vila Autódromo realizam vigília e resistem às remoções


(foto: Comitê Popular Rio Copa e Olimpíadas)

(foto: Comitê Popular Rio Copa e Olimpíadas)

Moradores da Vila Autódromo, na Barra da Tijuca, zona sul do Rio de Janeiro, realizaram no domingo (14) uma caminhada e ato ecumênico na praia de Copacabana para protestar contra as ameaças de remoções que a comunidade vem sofrendo do prefeito Eduardo Paes (PMDB).

A prefeitura quer integrar a área da comunidade ao projeto de construção da Vila Olímpica para os jogos do próximo ano, mas uma parcela dos moradores resiste pelo fato de viver no bairro legalmente, com seu direito consolidado há pelo menos 40 anos. O bairro é considerado pela lei como Área de Especial Interesse Social (Aies) e mantém título de concessão real de uso, emitido pelo estado há cerca de 20 anos.

Dos 600 moradores da comunidade, 90 por cento aceitaram a compensação financeira oferecida pela prefeitura e deixaram suas casas. No último dia 3, no entanto, o embate ultrapassou pela primeira vez o limite da negociação e o prefeito apelou para o uso da força. Um grupo da Guarda Municipal, Polícia Militar, Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb) e Justiça tentou entrar na comunidade com um trator para derrubar os imóveis.

O confronto marcado por golpes de cassetete, balas de borracha e gás lacrimogêneo deixou seis moradores e quatro guardas feridos. O caso repercutiu no exterior, com reportagem no jornal inglês The Guardian. Por volta das quatro horas da tarde daquele dia, a ação de força foi suspensa pela Justiça, que concedeu liminar contra o direito de desapropriação da prefeitura. A situação, no entanto, permanece tensa e o movimento de resistência tem realizado vigílias noturnas desde o dia 8 para evitar que os moradores sejam surpreendidos. (pulsar/ rba)

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