Ministério exclusivo de homens é retrocesso na luta por direitos das mulheres


(foto: Agência Brasil)

(foto: Agência Brasil)

O agora presidente interino, Michel Temer, anunciou na tarde desta quinta-feira (12) o grupo de 24 pessoas que formará o primeiro escalão da República. Um dado salta aos olhos: é um conjunto de homens brancos que representa os interesses de setores econômicos e políticos bem definidos do País. Nenhuma representatividade para mulheres, negros, indígenas ou movimentos sociais. Mesmo no fim do regime militar houve mulheres nos ministérios.

Para Clara Araújo, socióloga do departamento de Ciências Sociais e coordenadora do Núcleo de Estudos sobre Desigualdade Contemporâneas e Relações de Gênero (Nuderg) da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), um governo e a representação política como um todo deveria refletir a diversidade social e os interesses democráticos do país. Portanto, a inexistência de mulheres – que são maioria da população e do eleitorado – ou outros segmentos da sociedade representados no governo anula qualquer chance de diversidade.

A pesquisadora questiona se não havia, nos quadros dos partidos apoiadores do impeachment e que agora compõem o governo, mulheres para assumir algumas das pastas. Para ela, é um enorme retrocesso depois de algumas décadas de espaço voltar a estaca zero. Clara Araújo acredita que mais grave ainda do que a ausência de representatividade é o risco do Brasil retroceder ainda mais diante da agenda conservadora que poderá ser imposta pelo conjunto de valores tradicionais que o governo interino representa.

Militante do movimento feminista desde a década de 70 e coordenadora da Rede de Desenvolvimento Humano (Redeh), Shuma Schumaher vê a composição do ministério de Temer como uma forma do patriarcado assumir o poder de vez. Sobre a perda de status das pastas ligadas às questões sociais – a Secretaria das Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos deve passar a fazer parte do Ministério da Justiça, por exemplo – Shuma afirma que também é um grande retrocesso. Para ela, nos governos petistas de Lula e Dilma, houve um breve reconhecimento dos muitos anos de luta pelos direitos das mulheres. O risco, agora, é uma volta ao passado.

Mulheres chegaram ao ministério no governo do general João Figueiredo (1979-85), ainda no regime militar, quando Esther de Figueiredo Ferraz assumiu a então pasta de Educação e Cultura entre 1982 e 1985.

Vale lembrar que entre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), que devem ser cumpridos até 2030, está a igualdade de gênero. (pulsar)

*Com informações da Carta Capital

 

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