Médico Cubano reduz uso de antibióticos em aldeias indígenas utilizando plantas medicinais


Médico cubano incentiva o uso de plantas medicinais por indígenas (foto: reprodução)

Médico cubano incentiva o uso de plantas medicinais por indígenas (foto: reprodução)

O médico Javier Isbell Lopez, integrante do programa Mais Médicos, notou que os índios da aldeia Kumenê, no Oiapoque, no estado do Amapá, consumiam antibióticos em detrimento de utilizar plantas medicinais de sua tradição devido a evangelização de dois missionários na década de 1960, que permaneceram no local por mais de 10 anos, classificando o uso de plantas medicinais como feitiçaria.

Com a dura crítica e o banimento das tradições medicinais indígenas, os índios da aldeia passaram a consumir abusivamente antibióticos, em dosagens acima do recomendado, inclusive, para pessoas que vivem em áreas urbanas de grande fluxo.

Observando a situação, Lopez se reuniu com as lideranças indígenas e em diversas palestras buscou desmistificar o uso de plantas medicinais como “magia”. O projeto culminou na criação de uma horta com plantas cujo estudos científicos mostraram serem capazes de auxiliar no tratamento dos principais problemas de saúde observados na aldeia: gripes e doenças diarreicas.

Lopez explica que antes, os indígenas faziam um uso excessivo de antibióticos e, hoje, as bactérias que circulam na comunidade têm resistência aos medicamentos disponíveis.  Segundo o médico, aos poucos, a aldeia voltou a acreditar no poder das plantas.

A horta idealizada por Lopez contém plantas como boldo, sabugueiro, “amor crescido”, babosa, manjericão e outras menos conhecidas. Uma das mais utilizadas, principalmente no combate à gripe – doença mais expressiva na aldeia – é o sabugueiro, que apresenta efeito expectorante.

Lopez e sua equipe médica também iniciaram um projeto de reeducação de manutenção do meio ambiente, especialmente, do curso d’água que cerca a aldeia, um confluente dos rios Uaçá e Curupi.

De acordo com o médico, as estruturas de banheiros eram construídas próximo às margens do rio, contaminando a água. Além disso, os poços eram construídos próximos aos banheiros, o que facilitaria o contagio de doenças pela água contaminada.

As palestras sobre conscientização são parte do programa desenvolvido e empregado pelos médicos da equipe de Lopez, que tem como objetivo aumentar a qualidade de vida na aldeia, de maneira que haja menor consumo de remédios industriais, evitando a adaptação dos vírus ao antibiótico, e maior proteção dos recursos naturais, possibilitando a prevenção de doenças. (pulsar/fórum)

Faça um comentário

26 − 17 =