Manejo florestal empodera comunidades tradicionais no Pará


(foto: Instituto Internacional de Educação do Brasil)

(foto: Instituto Internacional de Educação do Brasil)

Em Almeirim, no Pará, um grupo de mulheres extrativistas da comunidade Repartimento dos Pilões colhe da floresta os ouriços da castanha do Pará, cujas sementes tornam-se ingredientes para biscoitos. Na mesma região, em Belterra, agentes comunitários da Floresta Nacional do Tapajós (Flona) são pioneiros na iniciativa de venda de produtos madeireiros. O que estas duas realidades têm em comum? Ambas desenvolvem o chamado Manejo Florestal Comunitário e Familiar.

A técnica consiste no manuseio de produtos da floresta ao modo tradicional dos povos que nela vivem, valorizando seus conhecimentos ancestrais para o uso desses recursos de forma sustentável.

Na Flona do Tapajós o manejo é feito por meio da Cooperativa Mista da Floresta Nacional do Tapajós (Coomflona). De acordo com Manoel Sousa, presidente da Federação da Flona, além da exploração da madeireira, a cooperativa também trabalha com produtos não madeireiros como o óleo de andiroba e mel, que geram renda e autonomia para o território.

O manejo é uma atividade que difere do desmatamento. Segundo Sousa, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), acompanha todo o processo de controle e fiscalização das madeiras.

No entanto, segundo Dilva Araújo, vice-presidente da Associação dos Micro e Pequenos Produtores Rurais e Extrativistas da Comunidade Repartimento dos Pilões, mesmo sendo mais sustentável, a prática do manejo florestal ainda carece de incentivo. Araújo afirma que a falta de apoio e política para a atividade resultou na criação do Observatório de Manejo Florestal Comunitário e Familiar, lançado na última sexta-feira (25), em Belém, no Pará.

A proposta visa conectar diversas organizações da sociedade civil, instituições de ensino e pesquisa na luta pela defesa do uso sustentável dos territórios comunitários no estado. O Observatório tem a participação de 14 organizações comunitárias que representam duas mil e 500 famílias de 11 territórios diferentes, entre unidades de conservação, assentamentos rurais e glebas estaduais. (pulsar/brasil de fato)

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