Maioria dos assassinatos de comunicadores tem agentes públicos como suspeitos


(foto: arquivo EBC)

Um relatório da organização não-governamental de direitos humanos Artigo 19, divulgado na última quinta-feira (8), revela que, apesar da dimensão dos riscos que os comunicadores correm no Brasil ao exercerem sua profissão, a maioria dos casos de letalidade permanece sem reposta da Justiça. Com o intuito de dar visibilidade a estes índices e alertar para a impunidade, a entidade reuniu 22 casos de assassinatos, entre 2012 e 2016, para elaborar recomendações à imprensa e ao poder público.

Intitulado “Ciclo do silêncio: impunidade em homicídios de comunicadores”, o relatório destaca que a região Nordeste apresenta, desde 2015, o maior número de casos, principalmente no Maranhão. Nesse mesmo período, aumentaram os casos de mortes de blogueiros e radialistas, alterando o perfil mais comum que colocava os jornalistas tradicionais como principais vítimas.

A maioria dos comunicadores se dedicava à cobertura de política local ou à editoria policial, de acordo com o assessor de projeto do Programa de Proteção e Segurança da organização da Artigo 19, Thiago Fírbida. De acordo com ele, agentes públicos, entre eles políticos e policiais, são os principais suspeitos pelas mortes.

“Esse é um dos motivos pelos quais a gente enxerga que esse índice de impunidade também seja elevado. Muitas vezes essas figuras poderosas, que cometeram esses crimes, acabam tendo condições de interferir no processo de investigação”, afirma o assessor. (pulsar/rba)

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