Justiça inocenta Beto Richa e acusa manifestantes por Massacre de 29 de abril


Massacre de 29 de abril (foto: Leandro Taques)

Massacre de 29 de abril (foto: Leandro Taques)

A Justiça do Paraná inocentou o governador do estado, Beto Richa (PSDB), e outras cinco pessoas pela ação policial que resultou em mais de 200 pessoas feridas durante uma manifestação, no dia 29 de abril de 2015. A decisão da juíza Patricia de Almeida Gomes Bergonse, publicada na última terça-feira (14), rejeita a ação civil pública movida pelo Ministério Público (MP) do Paraná e considerou que os manifestantes foram culpados pela violência policial.

Cerca de 30 mil pessoas de diferentes categorias participavam de uma manifestação em frente à Assembleia Legislativa do Paraná quando foram atacadas pela polícia com tiros de bala de borracha e bombas de gás lacrimogêneo. Cerca de 50 pessoas foram hospitalizadas e 213 ficaram feridas.

Para Silvana Souza, professora da Unioeste (Universidade Estadual do Oeste do Paraná) e dirigente do Sinteoeste (Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos do Ensino Superior do Oeste do Paraná), a decisão é um reflexo da criminalização dos movimentos sociais e da proteção do Judiciário à uma elite econômica e política.

A juíza Patricia Bergonse defende que as ordens para a operação policial não foram injustificadas, “tendo sido as agressões iniciadas pelos próprios manifestantes”.

Para Silvana Souza, é preciso questionar quais são os extratos da população brasileira representados no Judiciário, que privilegiam as elites contra a classe trabalhadora. A professora lembra que a juíza não considerou abusiva a ação da polícia, mas sim dos manifestantes, os quais não se utilizaram de armas e foram violentamente atacados.

O massacre de 29 de abril e a decisão judicial que inocenta o governador Beto Richa serão denunciadas pela APP-Sindicato  (Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná) no dia 30 de agosto, no ‘Dia  de luto e luta pela educação’.

A data relembra outro episódio de agressão enfrentado pelos professores estaduais. Em 30 de agosto 1988, uma ação policial comandada pelo governador do Paraná na época, Álvaro Dias, reprimiu uma passeata dos profissionais da educação que se mobilizavam por melhores condições de salário. A professora Silvana Souza esteve presente nos dois episódios. (pulsar)

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