Jornalista paraense é novamente condenado a pagar indenização por denunciar empresário


O trabalho do jornalista Lúcio Flávio Pinto já foi reconhecido pelo Prêmio Especial Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. (Foto: Miguel Chikaoka)

O jornalista paraense Lúcio Flávio Pinto, que edita há 25 anos o Jornal Pessoal, foi novamente condenado pelo Judiciário paraense. Ele foi julgado pela publicação de um artigo em que abordava a conduta do empresário Ronaldo Maiorana frente à empresa de sua família, a Delta Publicidade S/A.

O empresário Romulo Maiorana Júnior alega ter sofrido danos morais e materiais. A família de Maiorana também é detentora de um dos maiores grupos de comunicação da Região Norte e Nordeste, as Organizações Romulo Maiorana.

Desta vez, Lucio Flávio deverá pagar a quantia de 410 mil reais ao empresário. A decisão é da desembargadora Eliana Abufaiad, que negou o recurso interposto pelo jornalista no primeiro semestre de 2012. O jornalista vai recorrer da decisão, tentando levar o caso ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas teme que a condenação seja confirmada.

Por causa desse texto, em 12 de janeiro do ano passado, Lúcio Flávio foi agredido fisicamente pelo irmão do empresário, Ronaldo Maiorana, junto com dois seguranças particulares em um restaurante de Belém. Depois da agressão, o jornalista também se tornou alvo de 15 processos judiciais, penais e cíveis.

Lúcio Flávio vê nesses processos uma clara tentativa de impedimento à realização do seu trabalho. Também alega que juízes e o próprio Tribunal de Justiça do Pará não avaliaram o mérito dos recursos por ele apresentados.

Lúcio ficou ainda mais conhecido no início de 2012 quando foi alvo de uma condenação que mobilizou pessoas e organizações, nacionais e estrangeiras. Ele seria obrigado a indenizar a família do falecido empresário Cecílio do Rego Almeida. O crime teria sido chamar de “pirata fundiário” o fazendeiro que teria se apossado de uma imensa área de terras do Vale do Rio Xingu, com quase 5 milhões de hectares. De acordo com a própria Justiça Federal, as terras pertencem à União. (pulsar)

Um comentário

  1. Mais uma vez a justiça se colocado ao lado dos poderosos. Os Maioranas em questão desviaram descaradamente dinheiro da SUDAM e nunca fora punidos por isso. O Lúcio por usar o seu direito a livre expressão, é pela segunda vez punido. Repúdio total a justiça e aos Maioranas
    Marquinho Mota

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