Indígenas da aldeia de adolescente assassinado seguem ameaçados no MS


Indígenas ocupam área onde ocorreu o crime. (foto: ruy sposati /cimi)

A ocupação realizada pela aldeia Teyikue em protesto pelo assassinato de Denilson Barbosa, de apenas 15 anos, sofreu novo ataque. De acordo com os indígenas, um grupo de pessoas armadas disparou quatro tiros próximo ao local onde estão acampados. Ninguém ficou ferido.

As informações são do Conselho Indigenista Missionário (Cimi). O episódio ocorreu na última sexta-feira (22), um dia depois do fazendeiro Orlandino Gonçalvez Carneiro, que confessou ter matado o adolescente indígena, ter pedido a reintegração de posse por conta da ocupação no local.

Após a morte do garoto, a comunidade retomou a área, reivindicando a propriedade como o antigo território tradicional Pindoroky. Para os indígenas, o novo ataque tem ligação com o crime anterior.

As investigações sobre a morte de Denilson continuam. Em depoimento à delegacia, o fazendeiro afirmou que estava sozinho no momento do assassinato. No entanto, os dois indígenas que escaparam do declararam que vitimou o jovem afirmaram, também à polícia, que mais duas pessoas estavam com Orlandino.

Acompanhados de intérpretes, o irmão e o cunhado da vítima disseram que saíram para pescar no açude localizado na Fazenda Santa Helena. Levavam apenas varas e sacolas para carregar os peixes. Quando chegaram, cachorros começaram a latir e três pessoas saíram da sede.

De acordo com os indígenas, Orlandino executou Denilson com um tiro queima-roupa. O projétil entrou abaixo do ouvido, saindo pelo pescoço. Daí a confusão de acharem que mais disparos haviam atingido Denilson. Os outros envolvidos deram cobertura ao fazendeiro.

Mesmo com a nova ameaça, a propriedade onde ocorreu o crime permanece ocupada pelos indígenas. O fazendeiro ingressou com ação na Justiça do Mato Grosso do Sul. No entanto, a Constituição dá competência de julgamento sobre direitos indígenas à Justiça Federal, o que deve provocar a transferência da ação. (pulsar)

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