Índia inaugura primeira escola para pessoas trans terminarem seus estudos


Bandeira do orguho trans, criada em 1999 pela ativista Monica F. Helms (foto: reprodução)

Bandeira do orguho trans, criada em 1999 pela ativista Monica F. Helms (foto: reprodução)

Na Índia, cerca de metade da população trans não consegue terminar a educação formal por conta do preconceito e da violência. São numerosos os relatos de agressões cometidas por professores e colegas, além de dificuldades com nome social e uso do banheiro, por exemplo. Por isso, ativistas inauguraram, na última semana, a Escola Internacional de Sahaj, o primeiro colégio interno para transexuais do país. O objetivo é ajudar adultos que desistiram da escola antes de terminar o ciclo educacional.

A escola fica na cidade de Kochi, no estado de Kerala, o primeiro na Índia a adotar uma política contra a discriminação de transexuais ao promover educação inclusiva e oferecer a cirurgia de mudança de sexos em hospitais públicos.

A dirigente da Sahaj e ativista trans, Vijayraja Mallika, afirma que a escola pretende ajudar transexuais a terem currículo e habilidades para conquistar boas vagas de emprego e viverem dignamente. Segundo ela, das 25 mil pessoas trans de Kerala, 57 por cento foram forçadas a abandonar as escolas por causa do estigma.

A realidade da população trans brasileira se assemelha à indiana. A elevada evasão escolar de travestis, mulheres transexuais e homens trans causada pela intolerância e pelo preconceito, acaba excluindo, por consequência, essas pessoas do convívio social e do mercado de trabalho. No Brasil, cerca de 90 por cento dessa população tem a prostituição como meio de vida.

Para mudar essa realidade, uma iniciativa parecida com a Sahaj, o “Prepara Nem”, oferece um curso preparatório para vestibulares destinado a travestis e transexuais no Rio de Janeiro. Para a idealizadora do projeto, Indianara Siqueira, essas iniciativas são necessárias para que a comunidade trans tenha acesso à educação de forma segura.

Em 2014, o Plano Nacional de Educação (PNE), sancionado pela ex-presidenta Dilma Rousseff, previa a discussão de identidade de gênero e sexualidade nas escolas. Quando analisado pelo Congresso Nacional, entretanto, os temas foram vetados das diretrizes curriculares por serem considerados inadequados ao ambiente escolar.

Segundo Luiza Coppieters, professora de filosofia e militante da causa LGBT, “Há um preconceito estrutural em nossa sociedade que não permite as discussões de gênero e de sexualidade dentro da escola.” Apesar do Brasil ser um país laico, a influência religiosa está presente em todos os setores. (pulsar/brasil de fato)

 

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