Governo Alckmin fornece dados inconsistentes sobre violência contra a mulher no metrô


Metrô de São Paulo (foto: EBC)

Metrô de São Paulo (foto: EBC)

A organização de direitos humanos Artigo 19 colocou em dúvida a veracidade dos dados fornecidos pelo governo de São Paulo com relação aos casos de violência contra mulheres no metrô. Informações obtidas por meio da Lei de Acesso à Informação indicam que o governo do estado “não tem registrado de maneira consistente” as denúncias.

Segundo a Artigo 19, a conclusão deve-se aos números fornecidos pela Secretaria de Segurança Pública (SSP) do governo Geraldo Alckmin (PSDB) e pela análise do histórico recente das denúncias registradas. De acordo com Bárbara Paes, assistente de projetos na equipe de Acesso à Informação da entidade, quando se analisa a resposta concedida pela secretaria, fica bastante nítido que o governo de São Paulo não possui um sistema seguro e resiliente de registro de casos de violência contra a mulher no Metrô, que é de responsabilidade do estado.

Bárbara explica que os dados só foram obtidos após a ONG entrar com três recursos e, mesmo assim, as informações enviadas pela Secretaria foram incompletas. Na resposta oficial, o governo afirma que, entre junho de 2015 e junho de 2016, houve apenas 28 casos de violência contra a mulher. Entretanto, o órgão não forneceu os dados referentes aos meses de novembro e dezembro de 2015, e de janeiro, fevereiro, abril e junho de 2016, o que torna inviável a análise das informações no período completo de um ano.

Além dos dados incompletos, a Artigo 19 argumenta que os números não condizem com o recente padrão histórico de denúncias. De acordo com o próprio Metrô, em 2013 houve 79 casos de “crimes com conotação sexual” nos trens e dependências da companhia e, no ano seguinte, as denúncias chegaram a 145, enquanto nos primeiros sete meses de 2015 já havia o registro de 92 casos.

Segundo Bárbara, a organização entrará com um novo pedido de acesso aos dados de violência contra as mulheres no metrô de São Paulo, incluindo os meses que a Secretaria de Segurança Pública não informou na resposta enviada no último dia 30 de agosto. (pulsar/rba)

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