Exército atira 80 vezes em carro de família no RJ e mata o músico Evaldo Rosa


Evaldo Rosa (foto: reprodução/facebook)

Militares do exército abriram fogo contra carro que carregava uma família na Zona Oeste do Rio, neste domingo (7). No total foram 80 disparos, resultando na morte do músico Evaldo Rosa dos Santos. Além de Evaldo estavam no carro sua esposa, o filho de sete anos, uma amiga da família e o sogro, que também foi baleado.

A ação ocorreu no bairro de Guadalupe, por volta das duas e 40 da tarde. Segundo uma parente da família, os militares abriram fogo sem realizar qualquer abordagem prévia. Em entrevista à TV Globo, a amiga da família que estava presente no veículo disse que, mesmo depois dos passageiros no banco de trás terem fugido com a criança no colo, os militares continuaram atirando. Uma pessoa que passava pelo local também foi ferida.

Em nota, o Comando Militar do Leste (CML) afirmou que os militares agiram após um assalto ocorrido na região do Piscinão de Deodoro, e que os integrantes do carro teriam perpetrado “injusta agressão” contra as tropas antes de serem alvejados.

O delegado Leonardo Salgado, da Delegacia de Homicídios do Rio de Janeiro, deu declarações afirmando que “tudo indica que os militares realmente confundiram o veículo com um veículo de bandidos. Mas neste veículo estava uma família. Não foi encontrada nenhuma arma [no carro]”.

“Eles (os militares) têm que ser presos. Como pode fazer uma coisa dessas? Meu pai era um cara do bem, nunca fez uma maldade contra ninguém. E morrer assim? Com o carro cheio de tiros. Essa gente não pode ter arma na mão. São despreparados. Vou à Alerj e onde mais for necessário. O presidente Jair Bolsonaro disse que o Exército veio para proteger a gente e não para tirar vidas. Quero uma resposta dele também”, disse Daniel Rosa, de 29 anos, filho do músico, em entrevista ao jornal O Globo. Segundo ele, seu irmão, de sete anos, não para de perguntar “Cadê meu pai?”.

Em vídeo divulgado pela Ponte Jornalismo, os moradores se aglomeram em volta do carro baleado, naquele momento já sendo periciado pela Polícia Civil, e uma pessoa grita para os militares: “a gente é trabalhador, vocês são assassinos”.

De acordo com uma lei sancionada em 2017, por Michel Temer, os assassinos de Evaldo serão julgados por uma corte militar. (pulsar/brasil de fato)

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