Estudo mostra a importância da demarcação de terras indígenas para a proteção da floresta e do clima


Vista aérea da aldeia do Demini da floresta amazônica, no alto rio Demene, na TI Yanomami, divisa dos estados de Roraima e Amazonas. (Foto: Reprodução/Edson Sato)

Vista aérea da aldeia do Demini da floresta amazônica, no alto rio Demene, na TI Yanomami, divisa dos estados de Roraima e Amazonas. (Foto: Reprodução/Edson Sato)

Um estudo do World Resources Institute (WRI) publicado no início de outubro concluiu que, de 2000 a 2012, as taxas anuais de desmatamento em áreas florestais indígenas de posse definida no Brasil foram 2,5 vezes menores do que fora desses territórios, o que pode representar uma medida eficiente e mais barata de redução de emissões.

O estudo é mais um a ratificar a importância da demarcação e homologação de terras indígenas para a proteção da floresta e do clima. Segundo o WRI, o cumprimento das metas do Brasil no Acordo de Paris pode ser facilitado ao assegurar aos índios a posse de seus territórios tradicionais.

A pesquisa foi realizada com informações de três países da Bacia Amazônica: Brasil, Bolívia e Colômbia. De acordo com os dados do WRI, é possível estimar um benefício econômico de 523 bilhões de dólares a  1 trilhão e 100 bilhões de dólares para o Brasil num período de 20 anos, com custos que chegam ao máximo de 1 por cento dos benefícios totais.

Esses valores são calculados com base nos custos estimados de investimento em segurança de posse no país, mitigação de carbono através de programas de posse assegurada nas áreas  e a média de custos de corte de emissões por meio da captura e armazenamento de carbono fóssil.

Áreas indígenas florestais homologadas evitam anualmente a emissão de 42,8 a 59,7 milhões de toneladas de CO2 no Brasil, na Colômbia e na Bolívia, afirma o WRI. Especificamente no Brasil, existe potencial para evitar a liberação 31,76 milhões de toneladas de CO2 por ano, o que equivale a  6 milhões 708 mil e 778 veículos de passageiros retirados das ruas durante o período.

O trabalho do WRI vai na mesma linha, embora use métricas de valoração diferentes, de estudos do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) sobre o assunto. Em 2015, o Ipam publicou um trabalho em parceria com a GIZ (Sociedade Alemã para a Cooperação Internacional) mostrando que os territórios indígenas na Amazônia brasileira representam uma reserva de cerca de 13 bilhões de toneladas de carbono (46,8 bilhões de toneladas de CO2) – 30 por cento do que existe estocado na floresta. (pulsar/portal da amazônia)

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