Estudantes do Rio protestam em visita de Bolsonaro contra cortes na educação


Manifestação dos estudantes do Colégio Pedro II no Rio. (foto: brasil de fato)

Estudantes de instituições federais de ensino realizaram protesto contra a gestão do presidente Jair Bolsonaro (PSL), nesta segunda-feira (6) no Rio de Janeiro. A manifestação ocorreu em frente ao Colégio Militar do Rio (CMRJ), no bairro do Maracanã, zona norte da cidade. O presidente visitava o local para lançar um selo e uma medalha que comemora os 130 anos do CMRJ.

O protesto contra os cortes na educação foi inicialmente convocado por estudantes do Colégio Pedro II, do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet) do Maracanã, do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ) e da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV).

“A população e a juventude brasileira acabam de sofrer um golpe fatal à democracia”, dizem os estudantes, em manifesto, contra o bloqueio de verbas de proporções “estratosféricas” anunciadas pelo governo Bolsonaro. “Não vai ter corte, vai ter luta”, “Uh, sai do chão quem defende a educação”, gritavam centenas de estudantes na porta do CMRJ. Além dos alunos, pais e professores também protestam. Durante a manhã, a hashtag #EuDefendoOCPII, referente ao Colégio Pedro II, era uma das mais comentadas do Twitter.

Eles protestaram contra os cortes anunciados pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub, que na semana passada anunciou bloqueio de 30 por cento dos recursos de universidades que praticam “balbúrdia”, segundo ele, tendo as de Brasília (UnB), da Bahia (UFBA) e Fluminense (UFF) como primeiros alvos.

Acusado de perseguir ideologicamente essas instituições, o governo então universalizou o corte para todas as universidades, com a justificativa de que os recursos seriam revertidos para a educação básica, mas os cortes atingiram todos os níveis.

No Pedro II, por exemplo, os diretores informam que os cortes somam R$ 18,57 milhões, alcançando 36,37 por cento do seu orçamento de custeio. Na UFRJ, a “obstrução orçamentária” atinge R$ 114 milhões, correspondente a 41 por cento das verbas destinadas à manutenção da instituição.

Prévia da pesquisa que vem sendo realizada pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) aponta que mais da metade dos alunos das instituições federais são de baixa renda, e pertencem a famílias que ganham menos do que um salário mínimo per capita por mês.

Segundo dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), o Brasil encontra-se nas últimas posições em termos de investimentos por aluno no ensino superior, dentre 39 países pesquisados. Ainda assim, o sistema de ensino superior registrou crescimento nas últimas décadas – como observa em artigo na RBA o economista Marcio Pochmann.

As universidades públicas respondem por 95 por cento da pesquisa do país e 24,7 por cento do total dos alunos matriculados. Também realizaram, somente 2018, 17,4 milhões de exames e 6,8 milhões de consultas médicas acompanhadas por 339 mil internações de pacientes e a realização de 232 mil cirurgias e 1.398 transplantes em todo o país. (pulsar/rba)

*Reportagem completa Rede Brasil Atual

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