Estado é cobrado por omissão e cumplicidade em genocídio da juventude negra


(imagem: reprodução/Geledés)

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“Rebeldia. Para nós, como mães ingovernáveis, só resta a rebeldia. Essas palavras mexem com meu útero e com cada mãe que perdeu seu filho. Por rebeldia, falamos em processos arquivados pela ponta do fuzil da caneta dos doutores”, afirmou Débora da Silva, integrante do coletivo Mães de Maio. Débora perdeu seu filho para a violência policial no massacre de maio de 2006. Ela participou na última terça-feira (10) de audiência pública na Assembleia Legislativa de São Paulo.

A iniciativa partiu do gabinete da deputada estadual Leci Brandão (PCdoB) e de diferentes coletivos atuantes do movimento social. O objetivo foi discutir como as sucessivas ocorrências de violência e mortes contra a juventude negra são acompanhadas de impunidade, por omissão e cumplicidade do poder público.

Para Débora da Silva, além da violência policial devemos também falar da violência do Judiciário, que tem a mesma lógica do extermínio. Ela acredita que a impunidade é velada pelo Judiciário.

Participaram da audiência representantes da Convergência Negra, Marcha Mundial das Mulheres Negras, Rede de Enfrentamento ao Genocídio, Frente Alternativa Preta, Mães de Maio, além de parlamentares da oposição ao governo de Geraldo Alckmin (PSDB).

Para a assistente social Claudia Adão, ativista da Convergência Negra, que atua no extremo leste da cidade de São Paulo, a exclusão da população negra se deu durante os períodos pré e pós abolição da escravidão, quando os negros ficaram de fora do mercado de trabalho, das escolas, da assistência à saúde. E se estende até hoje como parte da segregação urbana. (pulsar/rba)

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