Especialistas criticam terceirização da gestão do lixo no Brasil


Apenas 3% de todo lixo gerado é reciclado no Brasil (foto:meioambientetecnico)

A gestão eficiente dos resíduos urbanos depende da atuação direta das prefeituras, assinalou o chefe do Departamento de Engenharia Térmica e Fluidos da Universidade de Campinas (Unicamp), Waldir Bizzo. Ele ressaltou que na década de 90 a maioria dos municípios brasileiros terceirizou esse serviço e hoje são extremamente ineficientes na condução do setor.

O professor da Unicamp participou do seminário Desafios para a Implementação da Lei dos Resíduos Sólidos, organizado pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, encerrado nesta quinta-feira (6).

De acordo informações da Agência Câmara de notícias Bizzo destacou que a legislação relacionada às licitações para empresas que recolhem o lixo é incompatível com princípios da não geração e da redução de material descartado, previstos na Lei de Resíduos Sólidos. Ele explicou que os contratos de coleta de lixo urbano são remunerados por tonelada recolhida, portanto, interessa às empresas produzir mais lixo.

O professor ainda disse que a coleta de resíduos urbanos consome, em média, 5% das verbas das prefeituras. Nacionalmente, trata-se de um mercado que movimenta certa de 18 bilhões de reais anuais, conforme calculou.

A gerente de projetos da Associação Técnica Brasileira da Indústria de Vidro (Abividro), Ana Paula Bernardes, também cobrou do poder público que assuma o comando da política de resíduos sólidos.

O gerente de Projetos da Secretaria de Recursos Hídricos e Meio Ambiente do Ministério do Meio Ambiente, Ronaldo Hipólito Soares reconhece a dimensão do desafio do país para cumprir a legislação sobre resíduos. Ele destacou que apenas 3% de todo o lixo gerado são reciclados atualmente. Estima-se que até 83% desse volume poderiam ser reaproveitados, como prevê a lei.

A coordenadora do Comitê Interministerial de Inclusão dos Catadores, Daniela Gomes Metello, lembrou que, dos cinco mil 561 municípios brasileiros, dois mil e 800 ainda contam com lixões. Pela lei, esses locais têm de ser desativados até agosto do ano que vem. (pulsar)

 

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