Entidades nacionais e internacionais manifestam preocupação com liberação de transgênico na África do Sul


O volume de agrotóxicos comercializados no Brasil aumentou em 360% entre 2000 e 2009

Organizações da sociedade civil da África do Sul, América Latina e Estados Unidos manifestaram preocupação com a recente autorização dada pelo governo da África do Sul à importação da soja transgênica da empresa Dow. Essa semente foi geneticamente modificada para resistir à aplicação dos herbicidas 2,4 D, glufosinato de amônio e glifosatomas e ainda não é cultivada comercialmente em nenhum país.

Em cartas dirigidas ao Comissário da Organizações das Nações Unidas (ONU) para os Diretos Humanos e ao Secretário Executivo da Convenção sobre Diversidade Biológica da ONU, as organizações condenaram a decisão e pediram intervenção das autoridades.

Mariam Mayet, do Centro Africano de Biossegurança, explicou que o transgênico aprovado, batizado de “agente laranja”, utiliza um ingrediente usado na Guerra do Vietnã e possui efeitos devastadores. De acordo com as entidades, a aprovação também evidencia “a falácia do argumento das empresas de biotecnologia que prometeram que a adoção de transgênicos reduziria o uso de agrotóxicos” . Hoje, a soja transgênica resistente a herbicidas ocupa cerca de 50% da área global cultivada com o grão.

O volume de agrotóxicos comercializados no Brasil aumentou em 360% entre 2000 e 2009. Além disso, três pedidos da empresa para liberação de soja e milho tolerantes ao agrotóxico estão prontos para ser votados pela CTNBio, que se reúne em Brasília hoje e amanhã.

Segundo Gabriel Fernandes, da AS-PTA as sementes resistentes a herbicidas são o motor das vendas dessas empresas. Além disso, de acordo com as entidades o agrotóxico 2,4-D tem a característica de ser volátil e com a tendência a atingir áreas além daquelas onde é aplicado, afetando plantações vizinhas e a vegetação nativa, o que prejudica a biodiversidade. (pulsar)

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